Peço desculpas e licença aos outros escritores deste site, para contar uma história que não tem nada a ver com o foco deste site, mas tem muito a ver com um paulista a procura de recordações da juventude em outros estados. A epopéia começa pelos idos de 1971, quando eu tinha 20 anos, administrava uma editora em São Paulo e tinha acabado de comprar um Dodge Charger R/T (acho que era cor verde-limão, alguém se lembra deste carrão?).
Nosso vendedor na época (Sr. Cardoso) precisava ir ao Rio de Janeiro e perguntou se eu queria ir junto para fazer um passeio e testar o carro. Como tinha uma jovem carioca que eu gostaria de rever e outra garota que foi minha ex-namorada, achei a idéia excelente…
A aventura começa numa quinta-feira, sai de casa no bairro de Santa Cecília por volta das 02h00 da matina para ir buscar o Sr. Cardoso na Casa Verde e por volta das 03h30 já estávamos na Via Dutra. De fato o Dodge com os seus oito cilindros andava muito e 3 horas e meia, depois já estávamos na Av. Brasil do Rio de Janeiro indo para o hotel, tomar o café da manhã, e depois sair para visitar os clientes no centro, nos bairros.
Na parte da tarde, concluído o trabalho, chegou a minha hora de lazer e lá fui eu visitar minha ex-namorada e no caminho já sonhava como seria minha tarde sozinha com a Suzana (acho que era o nome dela, caso alguém conhecido ou ela mesma leia esta história, me desculpe se eu estiver enganado) que tinha como charme em sua beleza impar, uma pequena mancha de nascença no rosto.
Mas quando chego ao seu apartamento, para minha decepção ela estava acompanhada de várias amigas e para piorar as coisas, fui totalmente ignorado por todos os presentes durante o tempo que passei lá, até que cansado de esperar, levanto e digo em voz alta: – "Meninas, vou presenteá-las com minha ausência" estas minhas palavras soaram como total desprezo. Foi àquela gritaria, frenesi, agito e quando se deram conta, eu já estava na rua indo embora. Após este dia, perdi totalmente o contato com esta moça.
Então desolado, mas com a "alma lavada", parti para a segunda etapa, iria visitar a Anabela (bonito nome!) que tinha paciência em ler minhas poesias e responder as longas cartas que trocávamos via correio (naquela época não tinha Internet) filha de um editor do RJ, morava nas Laranjeiras e eu na minha ingenuidade da época acreditava que tínhamos um amor platônico, devido talvez à distância, ou quem sabe a diferença de idade, e assim para renovar este provável sentimento mútuo e colocar a conversa em dia, fomos passear de carro pelo Rio.
Fazendo um tour durante a noite e madrugada, e para encerrar a noite estacionei na praia (como era sossegado naquela época) para admirar o mar e ver o sol nascer. Por volta das 06h00 da matina, sem dormir, depois de deixar a Anabela em sua casa, retornei ao hotel para pegar o Sr. Cardoso para retornar a São Paulo. Somente hoje, após muitos anos eu percebo a loucura desta aventura de voltar dirigindo sem ter dormido duas noites.
Uma viagem que demora 03h30 demorou mais de 7h00 devido às diversas vezes que dormi ao volante e as paradas para tomar café, minha teimosia (ou burrice!) em não permitir que o Sr. Cardoso voltasse guiando, mas meu anjo da guarda estava de plantão e juntos conseguimos chegar são e salvos em minha querida São Paulo.
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