Certa vez, eu e meu neto estávamos voltando para casa aqui no Tatuapé, quando um cachorrinho se aproximou e olhou-nos como se estivesse pedindo licença para nos acompanhar. E assim ele fez, nos acompanhou até o portão do meu prédio.
Entramos e ele ficou ali do lado de fora, sentadinho e com os olhinhos pendurados como se estivesse pedindo alguma coisa. Fiquei sem entender, mas meu neto logo percebeu que ele estava mesmo com fome, então subimos correndo para buscar algo para ele comer, mas acho que demoramos demais para selecionar um pouco de comida e água.
Quando chegamos ao portão, o porteiro nos disse que o cãozinho ficou cabisbaixo esperando a nossa volta, mas viu que não voltamos e foi embora triste. Então resolvemos ir procurá-lo pela indicação e possível rota que o porteiro nos traçou. Nesta altura, meu neto já estava chorando com o alimento na mão. Subimos a rua e o avistamos na porta de uma loja, cujo dono nem havia percebido a sua presença.
Fomos chegando de mansinho e meu neto colocou a comida e água perto dele. Nossa! Ele logo foi devorando tudo, realmente estava com muita fome. Afastamo-nos com tristeza porque não podíamos ficar com ele e de longe vimos que depois dessa merenda aconchegou-se e tirou uma soneca.
Fomos embora tristes, é claro, e pensando que depois daquele merecido descanso ele iria perambular por outras ruas aqui do bairro e ganhar mais uma carinhosa e gostosa refeição. E, quem sabe, até encontrar alguém que pudesse lhe dar um novo lar.
É muito triste ver estes animaizinhos soltos pelas ruas de São Paulo sem rumo, à espera que alguém os encontre e traga-lhes um prato de comida, carinho e tudo mais. Acredito que, como este, deve existir outros por aí.
Confesso que eu e meu neto ficamos angustiados por um bom tempo.