Em São Paulo, um reduto de italianos

Na minha cidade, no sul de Minas, nos idos dos anos 60, havia três times de futebol. Um deles era "o time de todos", o Rio Branco, hoje extinto enquanto time. Os outros dois, que dividiam a massa, eram o Santos e o Palmeiras. Atlético, Cruzeiro, Corinthians, Flamengo e outros não agradavam muito por lá não. Um dos santistas mais fanáticos que conheci (fã ardoroso do Ailton Lira) era o Nenzo Ferreiro.

Quando nos mudamos para São Paulo, fui morar em um reduto de italianos (sou bisneto de italianos por parte de mãe); ali, a torcida do Palmeiras era forte, mas a galera do mágico Santos não ficava atrás. No horizonte, despontava o Corinthians! Aliás, por esse tempo em São Paulo a massa corintiana já era enorme, mas a “italianada” desdenhava.

O cenário futebolístico era mais ou menos esse: Corinthians, Palmeiras e Santos eram as maiores torcidas, em quarto, disputando com a Lusa do Canindé, vinha o time – que era do Canindé, seu estádio à época – que hoje tem seu controverso estádio em Vila Sônia, o antigo São Paulo da Floresta.

O tempo passou. Os três times da capital eram meio que lineares, lembrando “Athos, Porthos e Aramis”, mas lá da baixada vinha, implacável, o D' artagnan, “estocando”, “fintando”, driblando, derrubando o que até então se convencionara chamar trio de ferro. Santos, o maior de todos, eleito pela FIFA, de forma equivocada, óbvio, o 5º melhor time de futebol do milênio; quem viu e quem vê sabe que é o primeiro!

Mas futebol é paixão, discutir o jogo da bola é muito bom e sempre haverá discordâncias, porque é isso que move, incendeia e renova as paixões.

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