Em 1973 cheguei a Sampa

No ano de 1973, no bairro da Estação da Luz (na linda rodoviária), cheguei de trem, com quatro anos de idade. Nem estranhei, achei tudo de bom. Sem casa, logo fomos para um albergue que se chamava “Cetrem”, na redondeza. Foi um lugar de triagem, ficamos pouco tempo e logo fomos encaminhados para a imigração, no Braz.<br><br>Lá, começou minha vida: aprendi a ler com a professora Elenir, que hoje deve estar “descansando”. O livro usado era o “Caminho Suave” (saga Didi e Fábio). Apesar do lugar, tive muitas alegrias; foi um tempo que deixou só saudades. Como não tinha moradia fixa, comecei uma vida de aventura: fomos do Braz para a Vila Clementino, onde nasceu meu irmão; de lá, fomos para Calmon Viana, onde conheci o “Soul”. As calças eram boca-de-sino e, das mulheres, a maioria eram bordadas. O Black era o penteado que fazia sucesso, a música era a alegria daquele tempo; muitas coisas eram boas. <br><br>Mas, voltamos para o Braz. Nesse tempo, comecei a ter a visão de que eu estava em um lugar bom para viver: as ruas muito cheias com comércios, indústrias, fábricas, tudo ao alcance de todos – emprego, onde minha mãe escolhia… Mas, o aluguel foi nos apertando e aí fomos, de novo, mudando de lugar: agora, era Jardim. <br><br>Onde eu vivia, na represa de água, éramos todos amigos, comecei a conhecê-los; a sobrevivência era escassa para todos (muito humildes). O lugar era longe, mas, vamos que vamos… Estava acostumando-me com o lugar quando vem minha mãe novamente… Mudamos de lugar e para mais longe: interior de Sampa – Mairinque, onde eu fui para a roça e, lá, tive que comer até Tanajura: mato no linguajar popular (sei lá que granja que era). Era ovo, galinha e feijão. Nos canaviais tinham muita cana, todos os dias e história de terror também. Água? Só na lata, ao longe, e banho? Fora de casa.<br>A lamparina iluminava a casa (eu até hoje gosto do cheiro do querosene). O cheiro de barro também agradava e ele era a nossa brincadeira. Era um lugar de paz, mas, voltamos para a capital (isso já no ano de 1979, novamente, na imigração). Lá, ficamos mais um tempo e fomos morar no Jardim São Jorge Domitila, Avenida 27.<br><br>Com doze anos o lugar era sinistro, aparentemente, mas fui me adaptando, conhecendo novos amigos: Claudia, Inácia, Sandra, Lena, Claudio, Sergio finado, Luizinho finado, Lia, Valtinho, Nelcinho, Regis, Laide, Soraia, Tuta, Chiquinha, Lurdona, Marivaldo, Minhau, Pedro Maluco, Pinguim, Ana Lucia, Adriana, Valeria, Cristina, Nene, Titica, Marcia, Tica, Vania, Luzia, Guega, Zuma, Dinalva, Jane, Berenice, Laudicelia, Leninha, Angela, Renata, Juliana, Simone, Neni, Moseies, Barroso, Japonês, Begue, Consul, Emilia, Monica, Dulce Maria, Xuxa, Caki, Granpola, Thais, Denise, Luciana ,Cassia, Dora, Lica, Cida, Michele, Valkiria… Tem muitas pessoas que fazem parte da minha história, mas, vou relacionar as lembranças (os amados também fazem parte: Pinguim, amor platônico; Evaldo 1; Sidney, pai dos meus 3 filhos, Marcos, Jorge, Denis, Flavio, Edinho, Donizete, Renato, Andre. Esse homem teve parte nessa caminhada da vida em Sampa. Hoje, sou vovó de 4 netos, moro em Interlagos. Os tempos não voltam mais. Que saudades! <br><br><br>E-mail: [email protected]