Primeiro partiu o filho.
Depois o pai.
Ambos – presenças paulistas na paisagem cultural brasileira.
Os dois – valores expressionais da nossa inteligência.
Um e outro: diferentes e semelhantes.
Semelhantes: no amor ao estudo, na atualidade do pensamento, na sólida formação moral e espiritual, na firmeza de conceitos, na projeção política ou intelectual e no bem querer a São Paulo.
Diferentes: pelo estilo, pela idade, pelos gêneros literários a que se dedicaram, pelo jornalismo.
Pai e filho – orgulho do planalto piratiningano.
Um – rígido, circunspeto: o mestre, legislador.
Outro – vivaz, agilíssimo: apontava virtudes e defeitos: preparava oportunidades para que se corrigissem erros; enxergava o agorinha mesmo da vida paulistana.
O filho embarcou primeiro. Em viagem de reconhecimento.
Tardou de alguns anos o chamado pelo pai – para não prejudicar mais ainda o patrimônio cultural brasileiro. Mas, a primeiro de abril, mentiu que o pai não fazia falta e disse que ele podia vir. Não que já houvesse terminado a sua benemérita missão de trabalhar pela Pátria.
Mas porque foi ludibriado pela morte e deu crédito à sua existência de que era preciso partir.
Agora: nem pai, nem filho.
Contudo – embora não seja consolo – estão ai os livros deles.
Ai estão os legados de cultura, de arte e de pensamento de dois Alcântara Machado.
"Braz, Bexiga e Barra Funda – Vida e Morte do Bandeirantes – Laranja da China – Brasilio Machado".
E outros, tantos outros.
E os trabalhos que os amigos do filho fizeram editar.
E as obras que os amigos do pai irão reunir em voluma.
Pai e filho – autores póstumos.
Mas lidos, porém, vivos.
E tantos vivos já póstumos…
Ambos Alcântara Machado.
Hereditariamente inteligentes.
Tinham a linda tradição da cultura.
Tinham linhagem espiritual que gerou a linhagem social.
Estirpe.
Vinham de longe e foram longe..
Antoninho amou São Paulo ao vivo, através da sua gente, nas Carmelas que passeiam de baratinhas com os granfinos, nos Gaetaninhos que vão dar uma volta de coche depois que morrem, na existência cosmopolita da capital, nos ítalo-brasileiros que torcem pelo Palestra.
Professor Alcântara Machado quis bem à terra natal pela história, pelo passado, nos feitos heróicos dos paulistas, nos bandeirantes, no rio Tietê, nos seus homens públicos.
E ambos reuniram este carinho a um maior amor: dedicação ao país.
Morreram.
Luto em São Paulo e no Brasil
E fazem uma falta imensa…
Que vale que eles ressuscitam!
Para São Paulo.
Também para o Brasil.
E-mail: [email protected]