1.
Ficava na Rua Maestro Elias Lobo.
Numa noite de 1968 após jantar na casa da namorada
ela me leva para ver o elefante.
– “Pedro, quer ver um elefante?”
Ele estava numa das casas com amplos jardins.
Ficou lá muitos anos, numa bonita casa dos anos 40.
Trombudo, orelhudo, rabudo.
Ficava sempre parado, impávido e majestoso.
Era uma estátua perfeita de um pequeno filhote de elefante.
Depois ele sumiu, mas não foi esquecido.
2.
Vi o orelhudo depois numa clínica na Av. Brasil com a Rua Argentina,
mas sempre que passava por lá evitava olhar o bichinho.
Doía a lembrança da namoradinha.
Ela morreu em 1991. Usou drogas e foi embora sem aviso.
A vida dela era mais vida enquanto brincava de elefante.
Em 2011 passando na Elias Lobo
em frente da casa pensava naquele
distante elefante e na namorada.
Como por encanto o portão se abre
e um senhor pergunta se eu quero entrar.
3.
A casa estava sendo alugada.
A proprietária colocou novamente o elefante na frente da casa,
que o inquilino havia levado para a clínica da Avenida Brasil.
Fotografei o animal, lembrando que tinha visto no SPMC
uma foto antiga dele de 1920
quando estava na casa da avó da atual proprietária,
casa de jardins amplos na Avenida Higienópolis.
O senhor era plantonista de imobiliária e Pedro como eu.
Ele disse que o elefante era italiano.
Se foi feito na Itália não achei assinatura do artista.
4.
Se fosse minha estátua e se a PMSP permitisse
colocaria o animal em frente ao Monumento às Bandeiras,
no meio do espaço do jardim existente, quinze metros da canoa,
para o elefantinho ficar olhando para os cavalos da obra do Brecheret.
Todos passando de carro veriam o africano desgarrado.
Doaria a estátua para alegrar tantos paulistinhas que iriam cavalgar,
digo elefantar, alegremente em muitas e muitas gerações.
Imagine as milhares de fotos que seriam clicadas com crianças no elefante.
Falariam então não “o passo do elefantinho”, mas “passo no elefantinho”.
Só assim para paulista e bandeirante encontrar elefante, não?
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