Já disse aqui, várias vezes, que por 47 anos morei na Parada Inglesa, em um raio de pouco mais de 2Km. Conheci todo mundo de lá e já contei, aqui, sobre gente pitoresca que compõem a minha história. A dona Trudy e o seu Heinz, o João Muca, o Paulo perninha, e outros tantos. Hoje quero lhes falar sobre outro sujeito maravilhoso que morava lá pelas minhas bandas, o Seu Arnaldo, e suas (des)venturas para se adaptar a esta cidade grande.
Capiau matreiro, como ele mesmo se definia, chegou por aqui no final dos anos 40, vindo de uma “cidadezinha” chamada Indiana, que hoje (2012) tem pouco mais de 10000 habitantes, imaginem na época do seu Arnaldo. Ele era aquele tipo de sujeito que ria de si mesmo. Dizia que na primeira vez que encarou uma escada rolante, ficou parado na frente dela, esperando que o bicho parasse para ele arribar nela. Que na primeira vez que entrou em uma porta de vidro móvel, como estas que tem nos bancos, deu uma volta completa nela e acabou saindo no mesmo lugar que tinha entrado, na rua. Mas a mais engraçada foi quando ele chegou aqui em São Paulo. Apeou do trem na estação da Luz e o primeiro guarda civil que viu foi logo perguntando:
– “Seu guarda, cheguei agorinha mesmo do interior e estou procurando meu primo, este cabra aqui ó, que mora neste lugar aqui ó. o senhor conhece ele?"
Disse mostrando o endereço de seu Geraldo, um primo dele que morava lá na Rua Mangaiba, na Parada. O guarda começou a rir e explicou para ele que aqui não era assim e que ele ia levá-lo até o ponto do ônibus que o levaria até a casa do seu Geraldo. Seu Arnaldo já não gostou muito disso, que diabo de lugar é este que a gente não conhece o seu vizinho? Mas foi com o guarda.
Chegando no ponto do ônibus ficou esperando, quando o ônibus chegou, seu Arnaldo subiu e foi logo intimando o cobrador ( que naquele tempo circulava pelo ônibus cobrando a passagem ) :
– "Moço, o guarda disse que o senhor vai me levar até a casa do meu primo este aqui ó (mostrou o endereço da seu Geraldo ), mas eu não sei se isso é verdade, porque ele mesmo disse que não conhece meu primo, como ele sabe que o senhor conhece ele? Se o senhor não conhece que nem pago a passagem e volta agorinha mesmo pra minha terra"
O cobrador riu e pacientemente orientou o seu Arnaldo para que ele pudesse chegar ao seu destino.
Assim era o seu Arnaldo, um sujeito simples que ria de si mesmo, que contava a mesma história muitas vezes e toda vez que ele contava, a gente ria e ele ria mais ainda, porque toda vez acrescentava alguma coisa que deixava a história ainda mais engraçada. Mas que angariou tanto respeito e admiração que a gente ria com ele, mas jamais rimos dele.
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