Ela que passa…

Lembro que ela vinha sempre por aquela rua, subindo no seu passo lento, no seu caminhar magnético fazendo todos os pescoços girarem na sua direção, quando passava suave, assassinando os corações sonhadores.

Tinha olhos profundos, que olhavam além das coisas e que tinham o estranho poder de corar quem o sustentava, mas eram doces no seu fitar, pois emoldurados sempre pelo seu sorriso luminoso e estival.

Pelas ruas daquele bairro, perto do Aeroporto, todas as esquinas pareciam vésperas de sua chegada ainda mais naquela em que sabíamos que viria, naquela hora.

Pergunto-me quando foi que me perdi no seu olhar ?

Quando foi que ela passou a ser o fulcro de cada momento e o ponto central de cada paisagem?

Parece que, desde aquela primeira vez, deixei de ser um e passei a ser dois, mesmo nos momento de solidão e recolhimento.

Parece que as ruas do Campo Belo, me desculpe o insigne poeta, todas vão dar no meu coração, porque por elas vejo sempre ela vir caminhando, no seu vagar de ave e gesto fragílimo.

É isto o amor.

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