Tinha eu na época uns treze ou quatorze anos. E morava na minha querida Parada Inglesa. Lá, naquele tempo, tinha uma avenida que chamava-se Av. Internacional, hoje chama-se Avaro Machado Pedrosa. <br><br>Os terrenos da Internacional daquele tempo eram bem distintos. Os do lado direito, no sentido de quem ia da Parada para o Tucuruvi, eram planos e bem ajeitados, já os da lado esquerdo eram barrancos e ribanceiras; as construções destes terrenos ficavam abaixo do nível da rua. <br><br>Em uma destas construções moravam três irmãs, a mais nova não me lembro do nome, devia ter na época uns oito anos, mas as outras duas, me lembro bem. A do meio chamava-se Rosemeire e tinha aí pelos seus doze anos e a mais velha era a Rosina, tinha por volta dos seus quatorze anos, era uma gracinha! Um corpinho de miss, um rostinho angelical, dona de um sorriso de fazer inveja a Monalisa. <br><br>Ao lado da casa delas, havia uma ribanceira onde tinha uma mangueira e nós, os garotos da época, penduramos num dos galhos desta mangueira, um pneu de FNM, o famoso caminhão fenemê daquele tempo. Neste pneu a gente se balançava.<br><br>Em uma bela tarde, estávamos nós lá na mangueira, quando as mocinhas apareceram no muro e ficaram nos observando e nós, é claro, começamos a fazer gracinhas para chamar atenção das moçoilas, até que o Sergio, um de nós, inventou de ver quem conseguia correr do alto da rua e num mergulho passar no meio do pneu. Olha a idéia de jerico… <br><br>A partir daí foi aquela algazarra, aquele bando de moleques correndo e mergulhando no ar, tendo sua queda amortecida pelo capinzal que cobria o barranco e ficando a metros do pneu. Até que eu resolvi que iria conseguir. Seria o herói da tarde e o objeto de admiração das duas gatinhas…<br><br>Fui lá do outro lado da rua, tomei o maior embalo e correndo no maior impulso possível, mergulhei no ar. Parecia o “Nacional Kid” (os mais velhos sabem de quem estou falando). Claro está que não passei no meio do pneu e graças a Deus não esborrachei a cabeça no tronco da mangueira, mas fui cair lá embaixo do barranco, todo arranhado e arrebentado. <br><br>Quando me recuperei do estupor e do susto que minha insanidade houvera me provocado, ainda ouvi a molecada gritando:<br>-"O Marcão morreu, ele se f….".<br>Voltei cambaleante, subindo a ribanceira, mais perdido do que cachorro em mudança… Para meu total desconsolo, quando cheguei lá em cima as duas mocinhas não estavam mais lá. Nem sei se viram minha “transloucada” aventura. <br><br>Para piorar a coisa, quando cheguei em casa, ainda tomei uns safanões da minha mãe, pois na queda, não sei como nem onde, rasguei o joelho de uma calça novinha que estava usando.<br><br><br>E-mail: [email protected]<br>