Rua Boa Vista, nº208, ali eram os escritórios da SANBRA -Sociedade Algodoeira do Nordestee Brasileiro. Esta empresa existe até hoje, só que com outro nome. Foi onde tive o meu primeiro emprego com carteira assinada. Eu, o Luizinho, o Araré, o Nelson, o Wagner e um ruivinho que, se não me engano, chamava-se Buriti ou Murici, éramos os office boys da SANBRA.
Eram os idos de 1966, 1967, e neste tempo São Paulo pulsava entre, o Páteo do Colégio, ali perto da Bovespa, onde fica a casa de Maria Domitila, até no máximo o Largo do Arouche, próximo ao início da Amaral Gurgel, ladeado pela Avenida Rio Branco, até o início da Rudge e pela Praça Roosevelt, fim da Consolação. Neste quadrilátero nós os boys, andávamos o dias inteiro, todos os dias da semana, com umas pastinhas de couro debaixo do braço, cheias de cheques, carnetas e duplicatas. De banco em banco, de loja em loja, pagando as contas de nossas empresas, ou dos funcionários adultos delas, que desenvolviam trabalhos mais importantes que o nosso.
Acreditem, não acontecia nada, absolutamente nada. Não havia arrastão, nem arrastinho. Trombadão nem trombadinha. Os guardas civis cuidavam do trânsito, da segurança e da ordem pública. A Força Pública, nome que naquele tempo se dava a Policia Militar de hoje, a gente nem via, até porque esta força militarizada só era chamada a intervir quando acontecia algo de muito grave, mas não acontecia, nunca acontecia nada.
Esta era a minha São Paulo, minha mãe, minha avó, minha mulher e minha amante, minha amiga e minha namorada, minha companheira, minha tudo que me deu tudo que tenho na vida hoje. E por isso que ainda amo você como sempre, porque mesmo maltratada, mesmo machucada, você continua digna e altiva, seguindo seu destino de abrigar no seu peito, todas as raças e credos, todas as cores e etnias, todos os sotaques e todas as origens.
Esta é a minha cidade, minha amada de ontem, de hoje e de sempre.
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