É na rua que as coisas acontecem

Hoje saí para dar o meu passeio matinal.
 
E na minha cidade, por ser montanhosa, é só ladeira e sobe e desce.
 
E, na Praça da Matriz, com seu velho campanário fiquei observando as crianças brincando.
 
E, de repente três meninos vieram trazendo nas mãos um cachorrinho de pelos ouriçados que abandonaram a um canto apenas com um potinho de água.
 
E diziam:
– “Pega ele tia, cuida dele tia.”
 
Compadeci-me do pobre cachorrinho que seu olhar já transmitia abandono.
 
Mas pensei:
– “Já tenho um gato e por conta disso nem posso sair para ficar uns dias fora que ele faz bagunça.”
 
Voltei para casa triste, pois o cachorrinho ficou na praça.
 
Tomara que uma alma bondosa o adote.
 
E aqui deixo minha revolta por aquela pessoa sem coração que teve a coragem de abandoná-lo indefeso.
 
E pensei no livro O Pequeno Príncipe que li, no bosque do Madre Cabrini, que era meu jardim secreto e lá me escondia para ler sossegada.
 
E que dizia:
“Tu te tornas responsável por aquilo que cativas.”