E a noite se encheu de estrelas…

Era um domingo convidativo a assistir uma sessão de cinema, uma matine como se dizia na época, década de 60; o cine era o Hollywood na mágica Santana; esperaria na oportunidade passar umas horas agradáveis, era fanático em apreciar um bom filme, aliás era o meu gênero predileto, romântico e de nome sugestivo: Férias de Amor com a bela Kin Novak.

O cine Hollywood nesta tarde estava repleto de jovens, essa juventude predominava entre os expectadores, o ambiente era festivo, eu de imediato procuraria um lugar para me acomodar e eis que na poltrona da frente divisei uma garota estonteante que estava acompanhada de uma amiga; como um "cara de pau", verificando que ela era linda e que o lugar ao seu lado estava desocupado, incontinente, pedi para sentar ao seu lado e para minha surpresa a mesma consentiu, meu coração neste instante bateria mais forte, pois teria a oportunidade de abraçar este lindo corpo emoldurado por um lindo cabelo louro; aconteceu; após as luzes se apagarem os meus braços a abraçaram sentindo o perfume inebriante que daria ensejo ao primeiro beijo roubado ao sabor da paixão, era a emoção do primeiro encontro.

Passaram-se as horas e torcia para que este momento não tivesse fim, tal a ternura sem malícia que nossos rostos colados viveriam, pena que um tal de “The End” apareceria na tela. As luzes se acenderam para a minha frustração e acabaria momentaneamente aquele encanto. Despedimo-nos marcando um novo encontro.

Aconteceu; em uma noite de verão nos encontramos. O mirante de Santana, o céu estrelado aliado ao perfume expelido das flores foi o cenário onde juramos amor eterno, meus lábios receberam os beijos desejados emoldurado por um punhado de estrelas que despontaria no firmamento, era a paixão que dava as suas cartas; despedimo-nos…

O tempo passou tão depressa e nada dessa moça dar o ar de sua graça, simplesmente desapareceria sendo que uma angústia tomaria conta do meu ser; voltaria várias vezes ao mesmo cinema e nada, nada.

Meses se passaram, novamente por acaso nos encontramos, nossos olhos novamente ficaram alegres, porém ela não quis reiniciar, tinha problemas de família, confesso que senti um aperto no peito tal a decepção.

Começou a chover então e nós nos deixamos molhar talvez para aliviar a tensão da separação e não é que a chuva cessaria, o céu voltaria a se encher de estrelas, mas ela, a mulher dos meus sonhos, simplesmente iria embora, sendo que os meus olhos acompanhariam a distância aquele corpo que por ironia nunca mais teria. Estava triste, pois mesmo assim a noite se encheu de estrelas… Era a despedida.

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