Dr.Roosevelt um médico de respeito

Em 1960, morávamos no bairro de Pinheiros. Mamãe vivia preocupada comigo, pois eu havia nascido com "sopro" no coração. Muita gente da família e conhecidos da vizinhança davam seus palpites que iam de uma patologia inócua até a possibilidade de morte iminente. Cada um tinha o seu caso para contar e justificar suas convicções.

Papai recebeu uma indicação de um bom médico, que atendia no primeiro andar de um velho prédio no Largo de Pinheiros. Ele era um senhor magro de seus setenta e tantos anos e muito respeitado, praticava a Clínica Geral. Um cardiologista naquele tempo não era fácil de encontrar.

Em minha consulta nada de mais, para tranqüilidade dos meus pais. A recomendação era para a simples observação, e que o tempo se encarregaria de sanar aquele problema de nascimento. Na sala de espera, o que me chocou foi ouvir a história contada pela própria mãe sobre o quadro de saúde de sua filha que sofria de cardiomegalia.

Não deixei barato, e tagarela do jeito que era fui tirar a limpo com Dr. Roosevelt aquela questão da cardiomegalia. Recebi uma chamada de minha mãe por estar amolando o clínico, mas ele bem didático como sua grande experiência permitia, explicou-me detalhadamente as características da enfermidade e até comparou o caso, com o tamanho de um coração de boi, coisa que já tinha visto no açougue.

Tudo me deixou muito impressionado, mas a atenciosa explicação do médico marcou muito mais, revelando um ser humano respeitoso e único. E assim tornou-se o meu médico de infância. Não consigo me lembrar de outros médicos…

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