Diga ao povo que fico

Apesar de ter nascido em Guarulhos, sempre morei na Vila Maria. Nunca fui daqueles que faz juras de amor ao bairro, até porque nunca morei em outro lugar e não tenho como comparar esse sentimento.

Pois bem, há alguns meses atrás, por motivos que não desejo mencionar por vergonha, me bateu uma vontade louca de residir em Presidente Prudente. Fiquei muito próximo disso, mas quando estava prestes a fechar negócio da compra de uma casa, acabei desistindo de tudo!

Ao acertar os últimos retoques do contrato com o corretor, tive um surto de tiques nervosos e lágrimas quando percebi que tudo aquilo que eu tinha passado estaria tão distantes de mim: minhas brincadeiras de rua, meus passeios ao Parque do Trote, as minhas idas à biblioteca, as compras na Avenida Guilherme Cotching, a decoração de Natal da Praça Santo Eduardo, os puxões de orelha que tomei nos colégios por onde passei (Florinda Cardoso, CECA, Industrial)…

Não poderia sair de casa a esmo e reviver cada um desse s momentos em um simples passeio a pé, reconstruindo toda minha infância e juventude.

Desde então fiquei me perguntando qual o nome desse sentimento que me fez ficar. Reluto em dizer que é amor, pois, como já disse, não sou desses românticos. Mas fiquei…

Deus do céu, será que estou louco pela Mariazinha?

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