Dia de Feira no Cambuci

Que saudades eu tenho das feiras livres dos meus tempos de criança, no Cambuci! Eram enormes e vendiam de tudo. Hoje ainda existem algumas, mas encurtaram de tamanho porque certas barracas já não existem mais. Com a chegada dos super-mercados foram perdendo a sua vez.
Minha mãe percorria a feira de cabo a rabo. Ia com a sacola vazia até a outra ponta e voltava depois comprando aquilo que tinha visto de mais interessante.
Curiosamente, uma das barracas mais concorridas de hoje, a dos pastéis, não existia. Pastel só mesmo em pastelaria. Em compensação havia a das bolachas com suas latas quadradas Duchen, Aymoré, Petybon Piraquê e São Luís, todas abertas, além de vários tipos de doces, como galinhos de açúcar, pirulitos chupetinha, garrafinhas de licôr, para alegria da criançada e dos dentistas. Comprava-se arroz, feijão e macarrão, tudo a granel, naquelas barracas de secos e molhados. Nas barracas de laticínios, diversos tipos de queijos. Em uma das pontas da feira geralmente ficavam as barracas de roupas e de sapatos, e na outra ponta os caminhões que vendiam peixes e miúdos. Sempre em uma esquina, no meio da feira, as duas peruas do Café Moka e Tiradentes, moídos na hora, disputavam a preferência da freguesia. E em toda a feira muitas bancas de frutas verduras e legumes. Bananas tinham seu lugar exclusivo, assim como as batatas, que nem barracas eram, mas sim vários sacos com diversos tipos do produto, com terra ou limpas, à beira da calçada. Eram colocadas naquele enorme prato que fazia parte da balança. Mas o mais chocante era a venda de frangos vivos. Escolhia-se um "felizardo", que teria seu pescoço destroncado ali mesmo na nossa frente. Em casa minha mãe o depenava na água fervente e depois o limpava e esquartejava.
Na esquina da R. D Duarte Leopoldo com Teodureto Souto havia uma banca de doces e bolachas que foi invadida por um caminhão desgovernado. Foi bala e doce pra todo lado! Logo começou a aparecer a molecada, entre eles este que aqui escreve, na esperança de catar alguma coisa do chão. Mas o japonês, dono da banca, foi mais rápido e, junto com os empregados, isolou o local para não ter sua mercadoria furtada. Essa era a feira de 5ª, a 50 metros de casa. Mas havia outras no bairro. A do Lgo.do Cambuci às 3ªs, a do Jardim da Glória às 4ªs e a da rua Inglês de Souza aos domingos. Só não havia feiras nas 2ªs, dia de folga para todos os feirantes. Mas a campeã disparada era a da Aclimação, na rua Loureiro da Cruz, aos sábados. Era a maior da região. Mesmo sendo longe, minha mãe às vezes se aventurava a ir até lá, ida e volta a pé. Afinal, se tinha alguma coisa na vida que fazia a alegria da velha, era uma boa feira livre.

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