O São Paulo minha cidade convidou-me para atender a um projeto de 'expansão do site', não lembro bem de que projeto se trata, e que já conta com mais de seis mil histórias.<br><br>Expliquei-lhes o motivo de não poder ir gravar a entrevista, devido a distancia e a cirurgia do ombro a que me submetera. Não foi preciso a minha participação, haja vista os diversos autores que concederam belas entrevistas.<br><br>Gostei da do Carlos Fatorelli e da Berenice Rabelo, sem desmerecer outros. Todos na realidade falam do mesmo assunto, sua própria historia vivida em São Paulo. E qual é a minha historia que gostaria de falar?<br><br>Bem… Todos sabem que sou catarinense e que aos dezenove anos fui me aventurar em São Paulo. Aventurar é uma palavra, talvez imprópria, pois aventureiro é o que parte sem destino para o que der e vier. Fui para São Paulo em busca de objetivos: trabalhar, estudar (já tinha o ensino médio) e viver na metrópole. Todos compreendem que viver na cidade não é fácil: os deslocamentos, a moradia, a sobrevivência. Procurei primeiramente conhecer a cidade. Diziam que era preciso no mínimo 90 dias para se situar, não se 'perder', significando que sabíamos onde eram localizados os pontos cardeais, norte e sul, leste e oeste, noroeste, sudeste etc.<br><br>Ninguém poderá dizer que conhece totalmente a cidade, pois é enorme. Nem também dizer que há lugares que não viu. Há de ter o interesse de conhecer, pois falando por mim tive o interesse de conhecer pelo menos parte da cidade que aprendi a gostar. Em 2007 descobri o site e escrevendo historias, daqui e dali, publicaram até hoje 77 delas.<br><br>Aliando o gosto pela cidade e o de poder escrever, uma paixão de escritores, estou sempre aqui. Existem alguns que se intrigam, e me acusam de pesquisar e depois escrever sobre ela, a cidade. Só se ama aquilo que se conhece, portanto…<br><br>Um destaque especial foi a formação de vínculos de amizade graças ao que temos de comum, o amor pela cidade. O site existe para uma finalidade, o resgate da autoestima do paulistano. Atualmente, tenho escrito sobre alguns temas diferentes dos que aqui são publicados. Mas por 'competição' sadia, com fome de gol não quero parar de escrever sobre ela, tal quais os atacantes querem fazer mais gols possíveis até chegar o milésimo, marca que deve levar ainda alguns anos se a carreira e o juízo continuar bom.<br><br>Sempre que posso vou a São Paulo e os amigos me mandam com frequência mensagens sobre a cidade, o que me permite matar saudades. Assim que for possível estarei presente nos encontros das redondas que o Miguel nosso 'eleito' organiza em conjunto com outros pares, tendo a aquiescência e presença do Luiz Salles, nosso amigo e colaborador.<br><br>O que me marcou deveras foi o modo de viver do paulistano, aprendida da convivência em com eles pouco menos de três anos, de 1967 a 1969 fazendo o que qualquer mortal faz: trabalhar, ir ao cinema, aos campos de futebol, teatro, museus etc. Entrementes saboreando a culinária, massas, pastel, esfiha, e pizza… Ou frequentando alguns pontos de bares e restaurantes, como na Rua Xavier de Toledo e avenidas Ipiranga e São João. Sem esquecer, é claro, o Mercado Público da Cantareira, meu preferido por muitas e diversas razões.<br><br>Estou volta e meia recordando-me na memória alguns fatos ocorridos e dificilmente a cidade me foge a lembrança. A última a que estou me dedicando é escrever sobre as obras, duas escolhidas para o vestibular da Universidade Federal de Santa Catarina de 2013, em Florianópolis; as obras de Mario de Andrade e Oswald de Andrade, com os títulos: “Amar, verbo intransitivo” e “Memórias sentimentais de João Miramar”, respectivamente. São dois grandes integrantes da literatura nacional, e a universidade quer saber dos candidatos se leram tais obras, e também quero escrever sobre o bandido, o da Luz Vermelha que na época em que ai estava, atemorizava os paulistanos pelo modo com que assaltava em geral as casas de luxo.<br><br>Não sei se valerá a pena escrever sobre um bandido? Todavia, sua historia que é real teve requintes de muito mistério, produzidos pelo cineasta Rogério Sganzerla, catarinense de Joaçaba – SC. Filme este atual e de excelente qualidade, cinema com tema marginal, e que está atraindo interesse internacional. Naquela nossa época um assaltante desse nível… Tão incomum.<br><br>O filme trata-se de um monólogo e se inicia com a expressão: "Eu sei que fracassei!". E o monólogo segue com o ator Paulo Villaça indo até o final, ponto em que se "suicida". Seu nome era João Acácio Pereira da Costa. Na realidade João Acácio é assassinado. O apelido do detetive que acompanha a ação é Cabeção. O político corrupto da trama é J.B. da Silva. A cópia do filme está comigo, doação de Helena Ignez, atriz, musa e viúva de Sganzerla, que em 2009 produziu um filme tendo como protagonista, o cantor Ney Matogrosso.<br><br>Os mais antigos devem se lembrar. Consultem na internet e terão todos os dados. Teve ampla repercussão na mídia local devido às mensagens sensacionalistas dos jornais, rádios e televisão: o bandido assaltava com sua lanterna à mão em geral nas madrugadas. O tema será decorrente? Por que haveria de interessar um bandido para o resgate da autoestima dos cidadãos paulistanos?<br><br>Em todo caso enviarei, para que pelo menos o leitor saiba do que se trata o texto, e se aprovado quem sabe atrairá atenção. Vamos ver. Nosso propósito é este: sempre reverenciando a cidade, objeto de nosso amor e interesse. Sobre o filme e os livros inscritos para o vestibular da UFSC voltarei a escrever em textos separados.<br><br><br>E-mail: [email protected]<br>