Hoje eu vou contar a história de um outro amigo de infância, Sergio Bassit, filho de família rica, culto, inteligente, 1,92m de altura, fortíssimo, halterofilista, tinha um grande defeito: gostava de brigar.
Certa noite, na porta da boate Nuit Dor (hoje Nostro Mondo), isso foi no ano de 1968, ele sozinho bateu em cinco homens, inclusive deixou um deles desmaiado dentro da lata de lixo. Eu falava para ele parar com essa valentia, que ele ainda iria acabar mal.
Nós frequentávamos a Rua Augusta. Lá tinha um rapaz de dois metros de altura, o Sergio não o conhecia, só porque o rapaz era mais alto do que ele quebrou a cara do rapaz.
Ele sozinho brigava com uma viatura da polícia. Certa vez o delegado perguntou para ele com quantos homens ele brigaria, ele disse: “Do seu tamanho podem vir uns vinte”. O delegado riu.
Como ele era filho de boa família, nunca foi preso, tinha bons advogados.
Mas ele era um grande amigo, quando dava um repente ninguém o segurava. Uma noite, na boca do luxo, na boate, se não me falha a memória, Galo Vermelho, ele quebrou toda a boate.
No trânsito ele toda a semana vivia brigando. E sempre quebrando a cara de todo mundo. Nunca vi ele apanhar, ele era muito forte, e além disso fazia halteres.
O tempo passou, ele casou, nasceu sua filha, ele ficou mais calmo, mas às vezes ele lembrava os velhos tempos e quebrava a cara de alguém. Até que o destino falou agora chega. Numa reunião de família, jogando cartas entres os primos, ele se desentendeu com um primo menor e deu um tapa no rosto do rapaz, o cara foi parar longe. Depois de uns minutos, o primo veio com um revolver 38 e deu dois tiros no peito do Sergio. Ele ainda correu atrás do primo alguns metros e caiu morto.
Todos nós, os amigos de infância, no velório, comentávamos que ele iria ter esse fim mais cedo ou mais tarde. Não entendo, filho de família rica, culto, vivia sempre em luta, queria provar que era invencível.
Mais um amigo da Consolação que teve um triste fim.
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