São Paulo me inspira. O ritmo de São Paulo parece me estimular a tentar o novo, a descortinar os projetos mais íntimos e a tentar aquilo que ninguém ainda tentou.
Profissões que só aqui existem surgem todos os dias, bem como só aqui algumas sobrevivem. Será que um revelador de fotografias em preto e branco ou um vendedor de peças para brinquedos antigos sobreviveria em outra terra?
São Paulo, com sua insaciável máquina invisível nos faz correr em busca daquilo que de fato queremos. Não há espaço para acomodações ou zonas de conforto. E, estranhamente ou não, isto não causa qualquer desconforto.
São Paulo nos faz querer melhorar. Não pela concorrência ou pelo famigerado "mercado de trabalho", afinal, em São Paulo não somos mercadoria, podemos desenvolver toda nossa subjetividade. Há espaço para todos.
São Paulo nos faz querer melhorar pelo seu ritmo, por vermos que tudo pode mudar em uma fração de segundo.
Aqui nada soa estranho. Tudo parece possível, e digo mais, tudo está acontecendo neste momento.
Se olho pela minha janela, vejo, em suma, três planos. No primeiro deles, a Avenida Dom Pedro I. São quatro pistas de cada lado, duas locais e duas expressas. No plano intermediário, vejo a Avenida Teresa Cristina. Entre o movimento incessante delas, crianças brincando como se na fazenda estivessem. Ao fundo, vejo a Avenida do Estado que, desde criança, aprendi a respeitar – à noite principalmente.
São carros, pessoas, mais carros, casas antigas, prédios novos, ônibus, caminhões, ruas de pouco trânsito e algumas poucas árvores. Isto individualmente não é nada. No conjunto, esta paisagem me inspira. Do alto de meus 21 anos, todo este movimento parece me dizer: "Vai lá, se arrisca, faça da maneira que acredita ser correta, vai dar certo!".
Toda esta paisagem, que avisto do meu quarto, parece guardar a história de sucesso de toda uma nação. Desde a pizzaria que conquistou a cidade até a indústria automobilística nacional, toda esta história está marcada em (e por) São Paulo.
Em São Paulo não aceitamos hesitar, retroceder. Tudo é um avanço. Experimenta não arrancar no sinal verde para ver o que lhe acontece. Só é pior se você estacionar sua vida num farol vermelho. Em São Paulo, não.
Se o Rio (que defendo ser nossa cidade irmã, contando com o devido perdão dos mais bairristas, tanto de um lado como de outro) inspira os poetas, São Paulo inspira o sucesso. Inspira e transpira.
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