Chegando em casa, voltando do Grupo Escolar Visconde Congonhas do Campo, no Tatuapé, o menino sentiu cheiro de bolo sendo feito. Logo pensou: “Oba, hoje tem festa!”. Largou as suas coisas no chão e correu à procura da mãe na cozinha. O cheiro estava no ar (muito gostoso, como todos podem imaginar).<br><br>- Tem festa? Tem festa?<br>- Tem, mas não é agora e nem aqui. Hoje à noite vai ter uma festona na casa da sua tia Zália, nas Perdizes. <br><br>Tia Zália avisou toda a família que tinha recebido o telefone (esperado há mais de vinte anos). Foram instalar o aparelho na sua casa naquele dia. Por isso, daria uma festa para todos os parentes a amigos. Uma festona. Naquele tempo, conseguir a instalação de uma linha telefônica era motivo de festa. Muita festa, tão difícil era isso. Quase impossível. Era motivo de inveja de muitos. Passado algum tempo, o mesmo menino, agora morando na Aclimação, estava conversando com amigos quando um deles, Sansão (israelita), contou que tinha ido à casa de um tio e lá tinha visto um aparelho que transmitia imagens de outro lugar, há mais de cinco quilômetros de distância. Dava para ver tudo o que estava acontecendo no que parecia ser uma peça de teatro. Incrível. Você na sua casa podia ver um espetáculo que estava acontecendo em outro lugar. Na mesma hora.<br><br>- Chama-se televisão e já existe nos Estados Unidos há muito tempo, falava Sansão orgulhoso.<br><br>Todos os meninos olhavam-se com cara de espanto. Conta mais! Conta mais! E Sansão acrescentava: <br><br>- Vi um jogo do Corinthians no Pacaembu. A gente via o gramado (que sabia ser verde), os jogadores de uniformes em preto e branco. Via o gol, a torcida. Tudo na hora que estava acontecendo!<br>- Não acredito, disse um. <br>- Também não, disse outro.<br><br>O tempo passou. Em uma noite de 1969, já morando nos Jardins, o menino que já estava casado acordou seus filhos para assistirem a um acontecimento absolutamente incrível. Os Estados Unidos haviam mandado um homem à Lua e, naquele instante, ele estava andando aos pulos no nosso satélite natural. Com os olhos ainda adormecidos as crianças viram um homenzinho dentro de uma roupa igual a do Flash Gordon (um seriado que seu pai dizia que passava nos cinemas quando ele era criança…) dando uns passos e pulando a uma distância razoável ao lado de uma nave espacial. Acharam o espetáculo muito interessante, mas cansativo. Pediram para voltar a dormir. Na verdade já tinham ouvido falar que os russos haviam mandado ao espaço uma cadelinha(Laica) que ficou dando voltas em torno da Terra e nunca mais voltou. <br><br>Quando souberam disso, não se espantaram muito com o fato científico. Lembraram, entretanto, que ficaram com muita pena da Laica… Depois disso, muitas coisas aconteceram. Muitas. Agora, aquele menino que viu com espanto a instalação do telefone na casa de sua tia, que não assistiu diretamente, mas acompanhou o advento do avião, que assistiu o surgimento da televisão no Brasil vê, maravilhado e emocionado, o Curiosity, depois de uma viagem de seis meses, descer em Marte. Vê, em face da indescritível e maravilhosa tecnologia adotada pelos cientistas modernos, uma máquina, um aparelho mover-se naquele planeta, mandando todos os dias fotos e filmes como estivesse logo ali na esquina. O menino fica extasiado e profundamente agradecido a Deus por haver permitido que ele tenha nascido nesta época da história da humanidade.<br><br><br>E-mail: [email protected]