Curiosidades do bairro Ipiranga – Parte I

Quero contar mais alguns fatos relacionados à vida do bairro do Ipiranga, hoje raras são as ruas e avenidas que ainda não foram tomadas pelos edifícios, o "boom" imobiliário está mudando as características do Ipiranga, antigas construções estão sendo substituídas por enormes arranha-céus, muitos deles de alto padrão vendidos a preços exorbitantes e o que é pior: escondendo a luz do sol e se transformando em uma selva de pedra, assim faço um breve relato para que os jovens de hoje possam ter uma ideia do passado deste bairro que é citado até no Hino Nacional.
 
Na década de 30, no final da Rua Bom Pastor, no sentido do bairro do Moinho Velho, foi erguido um arco de alvenaria no início do então chamado "Caminho do Mar" para cobrança de pedágio, a arrecadação financiou a construção da atual Rodovia Anchieta, o arco foi demolido nos anos 40.
 
Em 1908 desembarcou em Santos, entre muitos imigrantes, o Sr. Virgilio Di Cicco, esse senhor trabalhou inicialmente como cozinheiro, em 1916 montou uma fábrica de calhas na Rua dos Patriotas; em 1918 montou a primeira loja de ferragens também lá na Rua dos Patriotas, com o passar do tempo o negócio cresceu e se transformou em uma loja especializada em materiais para construção cuja matriz funciona na esquina das ruas do Manifesto e Patriotas até hoje, mas já não pertence mais à família. Foi vendida para uma empresa multinacional, seus últimos dirigentes anteriores à venda foram os senhores Enio Benelli e Ricardo Ferraro com os quais tive o prazer de conviver no meu tempo de vendedor da firma Glasurit (Tintas Suvinil).
 
Ainda na parte industrial do bairro, os irmãos libaneses Benjamin, Basilio, Nami e Miguel Jafet, em 1906 montaram a Fiação, Tecelagem e Estamparia Ypiranga Jafet, essa indústria ofereceu emprego a centenas de famílias da região, eu mesmo tive parentes e familiares que trabalharam nessa indústria. 
 
Suas dependências ocupavam o quadrilátero formado pelas ruas Sorocabanos, Silva Bueno, Patriotas e Agostinho Gomes; toda a família Jafet residia no bairro e ocupavam boa parte das ruas Bom Pastor e Costa Aguiar, ainda hoje permanecem algumas belíssimas mansões que foram da família. 
 
Quando fui Juiz de Paz no cartório do Ipiranga tive a honra de formalizar o casamento da filha de Dona Violeta Jafet cuja progenitora, Dona Adma Jafet, foi uma das fundadoras do atual Hospital Sírio Libanês, a Dona Violeta ainda vive e é presidente de honra do hospital se a memória não me trair. Infelizmente a indústria não existe mais, mas fica aqui o meu registro, futuramente devo continuar escrevendo mais alguns fatos que ficaram marcados em minha memória, aguardem.