Curiosidades do bairro do Ipiranga – II

Hoje vou falar alguma coisa sobre a Paróquia de São José do Ipiranga, essa igreja começou a nascer lá pelos idos de 1912. Vieram da Europa alguns padres, entre eles o padre Arnaldo Dante (de saudosa memória), esses párocos depois de algum tempo conseguiram adquirir um terreno para erguer uma igreja em louvor a São José.

Em janeiro de 1919 foi lançada a pedra fundamental, em dezembro de 1920 foi fundada a igreja, os ornamentos e o trono do altar-mor foram inaugurados no mês de maio de 1921, os sinos vieram no mês de agosto de 1921 e foram bentos pelo padre Dante, as pinturas e telas existentes são de autoria de um pintor brasileiro de nome Oscar Pereira da Silva e foram inauguradas em 1924.

O órgão de tubos, que ainda está lá, foi fabricado na Europa por um construtor de órgãos que se chamava Aristides Cavaillé-Coll, é uma preciosidade, a imagem do Cristo Crucificado, feita de cimento armado e fica no pátio de entrada da igreja foi colocado lá por ocasião do Congresso Eucarístico de 1945, se a memória não me falha, pois nessa época eu tinha 10 anos de idade.

Nessa igreja fui batizado, fiz a primeira comunhão, fui crismado, casei-me e os meus filhos foram também batizados lá. Fui coroinha e ajudei o celebrante em muitas missas, após passar por várias fases cheguei ao posto de "coroinha de primeira", ou seja, àquele que ficava à direita do celebrante e respondia em latim as frases que o padre dizia.

O "coroinha de segunda" ficava no lado esquerdo do celebrante e atuava na mudança do missal e era encarregado de entregar ao padre as galhetas com a água e o vinho, os demais coroinhas ficavam logo atrás, a maior alegria dos coroinhas era na Semana Santa na cerimônia do lava-pés e também quando a missa era solene e celebrada por três padres, a igreja ficava iluminada e eu então portava um objeto chamado turíbulo (será esse o nome?)

Nele vinham umas brasas e, em determinado momento o padre colocava incenso para fazer a fumaça e abençoar os fiéis, as procissões da sexta-feira santa eram o ponto alto do bairro, a Rua Brigadeiro Jordão ficava apinhada de gente, a procissão seguia pelas ruas do bairro, os bares fechavam meia porta, as pessoas na rua tiravam seus chapéus, o trânsito parava e ninguém tocava a buzina, as pessoas colocavam toalhas, flores e acendiam velas em suas casas, tudo no maior respeito.

As missas do domingo eram concorridas. Das 08h00 horas era dirigida aos jovens e geralmente era comandada pelo padre Balint, os padres que eu conheci foram o Stanislau, o Vital, o padre Dante, o padre André e outros tantos cujos nomes não me recordo. Eis amigos um pouco mais da história deste bairro que amo e da igreja onde passei boa parte de minha infância e juventude, é provável que eu tenha esquecido algum detalhe ou trocado alguma data, pois o tempo é implacável e a memória pode me trair, em breve devo voltar para falar mais alguma coisa do bairro do Ipiranga, abraços.

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