Crônica paulistana

Os tempos já lá vão, minha vida de criança, minha bola de capotão.

Morávamos no Brooklin, na rua defronte ao Banespa, precisamente na chamada Parada Petrópolis, nome este por causa da linha de bondes.

Nossa turma era a de "cima" e a outra a "debaixo". Reuníamo-nos para jogar no campinho da Rua Andréa Paulinetti, no então incipiente Clube Indiano. Jogávamos contra a turma do Abílio e do Beto, como o chamávamos. Beto, este, que mais tarde tornou-se um dos maiores astros do futebol brasileiro e mundial e que, para muitos, e inclusive para nós, foi o maior de todos, depois de Pelé. Roberto Rivellino.

Voltávamos todos tristes para casa, pois apanhávamos de goleada face aos dois irmãos craques da bola. Que inclusive riam das nossas caras.

O tempo passou e os anos voaram e só as recordações ficaram…

Gostávamos de ouvir os papos do seu Nicola Rivellino, pai de nossos amigos, o qual sempre dava as "tiradas" dele. Certa ocasião, sentado no banco ao seu lado, na "Escolinha de Futebol", ou seja, na Rivellino Sport Center, administrada pelos irmãos, notadamente pelo mais velho, o Abílio, presenciava o seu Nicola fumando um cigarro após outro, fumante inveterado que era. Não resisti, e com o intuito de fazê-lo parar, pois a fumaça expelida, realmente era incômoda, falei:
– Sr. Nicola, o senhor sabe que o cigarro mata lentamente?

Ele deu mais uma tragada, e expelindo suavemente a fumaça, olhou-me e disse:
– Não tenho pressa de morrer…

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