Em 1959, os finais das tardes de domingos eram esperados com muita ansiedade. Na Rua Jairo Goes, defronte a pizzaria Castelões, no Braz, sempre as 19 horas, era realizado o show do Clube dos Motoristas.<br>Os quadros, skets, apresentações musicas de cantores e danças (notadamente danças características da Espanha e da Itália) eram realizados pelos próprios motoristas, seus filhos e por moradores da redondeza.<br>Meu irmão costumava cantar no quadro dos calouros, tendo algumas vezes vencido os concorrentes, e o premio para o vencedor era nada mais, nada menos, que um vale pizza da Castelões.<br>O curioso é que em 1959, invariavelmente, um calouro se apresentava cantando modinhas napolitanas, com uma voz doce e sotaque bem natural. Uma vez meu irmão empatou com esse calouro e pizza foi resolvida no Par ou Impar e meu irmão perdeu.<br>Esse calouro era um motorista de táxi já perto da faixa dos 40 anos, e que alguns anos depois ficou conhecido em todo o Brasil. Era Francisco Petronio, o Rei do Baile da Saudade.<br>Que saudade de tantos que lá se apresentaram cantando, fazendo comédia, declamando poesias, dançando…<br>Que saudade daquele lazer cultural, daquela convivência respeitosa e sadia, muito melhor que assistir o Faustão ou ser obrigado a mudar de canal quando anunciam o big brother.<br><br>e-mail do autor: [email protected]