No ano de 1967 fui convidado a jogar no Parque da Mooca, um time de primeiro mundo na várzea paulista, com jogadores profissionais como Poças, Tanesi, Efrain, Buzzone, Capu, Milton Nenê Sanovito e outros, enfim um time indiscutível e com uma torcida fanática.
Anteriormente eu jogava em um time cujo nome era Unidos da Caetano Pinto.
Éramos rapazes e quando jogavamos em campo adversário tinhamos que perder o jogo ou sair do campo antes do final da partida. Jogando pelo Parque da Mooca fui com o time para o campo do Sampaio Moreira, no Tatuapé. O dono do campo era também o organizador do festival junto ao juiz da Federação Amadora de Futebol.
Enfrentamos a equipe do Guapira, do Jaçanã. Um belo jogo, venciamos por 2×1 quando em uma jogada normal o juiz expulsou o Zé Indio. Este então disse que não iria sair, pois a jogada não era para expulsao e até os jogadores do Guapira pediram para que o juiz revogasse a decisão. Mas o mesmo não cedia.
Sendo assim, os jogadores optaram pela retirada do juiz, substituindo-o por um da várzea, já acostumado a atuar como juiz neste tipo de partida.
O jogo terminou com o placar já mencionado e vitória para o Parque da Mooca.
Depois do jogo os jogadores dos dois clubes sairam para tomar cerveja juntos e não era possivel notar nenhum ressentimento por parte dos integrantes do time perdedor. Um dos jogadores do Guapira era um negrão de cabelo alisado muito amigo do pessoal do Parque da Mooca.
Eu era recém chegado ao clube e achei uma atitude totalmente nova diante de tudo o que conhecia do mundo do futebol. Nunca consegui esquecer esse fato.
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