Cinemas da Cidade de São Paulo

Nos anos 50-60 tínhamos cinemas em demasia, o centro da cidade tinha os melhores cinemas do Brasil. Na periferia também tinha os seus cinemas. Mas o povo gostava mesmo era de ir no centro da cidade. Tinha cinema para todos gostos. Tinha os chiques como o cine Metro na avenida São João, onde não se entrava sem paletó, o Marrocos na Rua Conselheiro Crispiniano, também tinha essa exigência. Na mesma avenida São João tinha outros cinemas. O Art. Palácio que ficava entre o anhangabaú e a Conselheiro Crispiniano era um cinema popular. Ali era exibido filmes de "mocinho" os chamados bang bangüês. Cada tiro um punhado de sangue. Depois tinha o cine Olido na esquina com a Rua Don José de Barros, na galeria que tinha o mesmo nome do cinema. Alem do cinema aquela galeria tinha o famoso café servido por mestre Ambrósio. Depois do cine Metro na mesma calçada tinha o cine Oásis, que passava filmes mais abaixo da critica. Anos mais tarde se transformou em Teatro, daqueles pouco recomendáveis. Do outro lado da avenida São João tinha o cine Regina e mais adiante, o Cinerama, um cinema com terceira dimensão.<br>Sua tela enorme com som excessivamente extravagante. Parecia que os atores estavam próximos da gente. Um avião por exemplo parecia que ia decolar em nossas cabeças ou então descer também. No largo do Paissandu tinha o cine Paissandu ao lado da igreja do Rosário. Do outro lado da praça tinha o cine Ouro bem atrás da igreja. Neste cinema tinha um pianista que tocava antes da seção começar para entreter os espectadores. Na rua Sete de Abril tinha o cine Barão, a rua sete de Abril era paralela a rua Barão de Itapetininga. Na praça da Republica tinha o cine Republica neste cinema nos anos 30 era freqüentado pela alta roda paulistana. Era ali que se dava os resultados dos jogos de clubes brasileiros que jogavam no exterior quando as comunicações eram precárias. O paulistano de Frienderach, era o clube que sempre estava excursionando pela Europa. E o chiquê da cidade ia ao cinema e sabia do resultado do jogo que vinha por teletipo. Já na avenida Ipiranga tinha os cines Ipiranga, Marabá um defronte ao outro. Vale acrescentar que todos os cinemas eram grandes não só na exuberância dos prédios como grande em sala de exibição. Eram bastante confortáveis e tinha no mínimo 800 lugares. No vale do Anhangabaú tinha dois cinemas um em cada lado do vale. O cine don Pedro II que ficava ao lado dos pontos de ônibus 52 Itaim e 152 Vila Olímpia. Era um cinema que nos anos 50, tinha a seção matutina, intitulada de seção Zig – Zag. Já do outro lado tinha o cine Cairo um cinema de nível mais baixo. Atravessando o Anhangabaú, indo pela Galeria Prestes Maia tínhamos na Rua Direita o cine Alhanbra.<br>Na praça da Sé o cine Santa Helena apelidado de Purgueiro. Ali Prostitutas e os que não só gostavam de assistir um filme de baixa reputação como também de sacanagem. Pois era só entrar que tinha companhia certa. Podia até escolher.<br>Tinha gente que sugeriu a direção do cinema que colocasse carpete para evitar escorregamento. Já nos bairros posso falar do Brás que tinha o cine Universo considerado o maior de todo o Brasil. Segundo línguas, ali cabia 2.500 pessoas. Tinha também o cine Piratininga que também era muito grande. No Itaim tinha o cine Itaim na rua Joaquim Floriano, que também era o purgueiro do bairro. E mais adiante o cine Star ( hoje cine Lumiere) ambos os cinemas de propriedade de Dona Dulce Borges barreiros. Eterna candidata a deputado e Vereador sem nunca ganhar uma eleição. Era cupincha do Adhemar. Na avenida Santo Amaro tinha o cine Radar, com capacidade de 1444 lugares. Era um cinema chique nos anos 50. Que depois se deteriorou.<br><br>Escreveu Mário Lopomo. Um cara que ama São Paulo.