Cine Ypiranga Palácio

Hoje, devo falar um pouco de um cinema que funcionou no Ipiranga até o início dos anos 60, essa casa de espetáculos foi fundada em 1924 com o nome de Cine Theatro Brasil. Além da exibição de filmes, ali também eram realizados concorridos bailes; em 1939 mudou para Cine Ypiranga Palácio e passou a funcionar somente como cinema, o prédio ficava na Rua Tabor nº 75, naquela época eram exibidos, além dos "trailers" de filmes que seriam exibidos na semana seguintes, dois filmes: um seriado e um cinejornal, nas matinês de domingo além do programa já citado eventualmente eram exibidos desenhos do Popeye, Gato Félix, etc.
 
Foi nesse cinema que eu tive oportunidade de assistir a vários filmes de grande sucesso e vários seriados que fizeram a alegria da garotada e dos adolescentes naquele tempo, entre os filmes inesquecíveis posso citar os seguintes:
 
– "A Adaga do Rei Salomão", não me lembro o nome dos artistas.
– "Almas em Fúria", com Gilbert Roland, Bárbara Stanwyck e Wendell Corey.
– "As Mil e Uma Noites", com Sabú, John Hall, Maria Montez e Turhan Bey.
– "Amar Foi Minha Ruína”, com Gene Tierney, Cornel Wilde, Jean Crain.
– "Laura", com Dana Andrews e Gene Tierney.
 
Os seriados geralmente eram produzidos em 15 capítulos, já não me lembro com clareza de todos a que eu assisti, mas alguns deles foram emocionantes, entre eles eu posso destacar os seguintes:
 
– "A Sombra Destemida", com Bela Lugosi e Robert Kent.
– "Flash Gordon No Planeta Marte", com Buster Crabbe.
– "A Deusa de Joba", com Clyde Beatty.
– "Os Perigos de Nyoka", com Clayton Moore.
 
Esses dados que agora transcrevo eu tirei de um velho caderno escolar, na capa estava escrito: "Caderno de Linguagem", onde eu costumava registrar alguma coisa interessante que eu lia nos jornais da época, nas histórias contadas por meus familiares e nos bate-papos com os amigos. O caderno já não existe mais, porém a maior parte ficou gravada em minha memória, foram passagens marcantes de um tempo que não volta mais, porém, como dizia o grande locutor Fiori Gigliotti, "ficarão para todo o sempre incrustados no meu cantinho de saudade".