Cidade incentivadora

Foi numa bela manhã de um sábado qualquer, no ano de 1983, eu tinha 12 anos, levado por minha mãe a grande cidade de São Paulo, desembarcamos, minha mãe, eu e meus irmãos, para uma visita a casa de parentes na grande metrópole, mais precisamente em Santo Amaro.

Sendo minha mãe uma pessoa semi-analfabeta, deixou sob minha responsabilidade a leitura dos letreiros diversos a fim de nos localizarmos e seguirmos no destino correto, munidos simplesmente de um endereço em um velho e amarelado envelope de correspondência.

Desembarcamos do ônibus da viação Cometa, vindos de Campinas, uma cidade de porte grande, mas sem a magnitude da Capital. Após alguns passos entrelaçados com os irmãos menores, bem seguros num cordão humano, saímos do terminal e então pude admirar tamanha grandeza, enorme movimento de um povo apressado e comunicativo…

Filamos na calçada e minha admiração não passava, fiquei boquiaberto com tanta confusão, tantos sons diversos, vozes, buzinas, freadas… Após alguns minutos e gritos de atenção, pude realmente me conformar com tanta beleza. No trajeto do coletivo a Santo Amaro, parecia outra viagem, mas pude admirar cada movimento fora da janela transparente esfumaçada do coletivo, dai então tive a certeza, aqui é o meu lugar, este é e sempre será meu mundo.

Hoje confesso que ainda não moro na cidade, mas por opção, apesar de visitar a mesma três vezes por semana, em nosso escritório na Capital. O que vale dizer é que foi observando a cidade, aos 12 anos de idade, que tracei o meu futuro, estudei, trabalhei e progredi, mas sempre incentivado por uma cidade que acredito ser magnética. Quem tem vontade e quer ter um futuro prospero, pode se inspirar neste monumento à vida.

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