Cidade da Garoa<br> Poesia – Ilka Maia<br> Planta da pedra<br> <br> Minha alma está como as ruas da cidade<br> Paulista quando cai garoa…<br> Pelas suas calçadas,<br> De tristeza molhadas,<br> Caminha, à toa,<br> A grande multidão que minha alma povoa…<br> <br> Dúvidas vão ali, murmurando sozinhas…<br> São velhinhas<br> De fichu na cabeça,<br> Que ficarão caducas de desgosto!…<br> <br> Orgulhosos caprichos de véu no rosto,<br> Passeiam, nos vultos<br> De fidalgas damas, disfarçando<br> Pensamentos ocultos…<br> <br> E tomando-lhe a frente,<br> Heroísmos calados de fronte erguida,<br> Seguem, feito os soldados que voltaram<br> Das batalhas da vida,<br> Cegos, gloriosamente,<br> Gloriosamente mancos!<br> <br> Vagam crenças puras como virgens,<br> Esfarrapadas esperanças<br> Correm, tremendo, sobre a pedra fria,<br> Nos pézinhos descalços das crianças…<br> Sonhos de arranha-céus que construí, na alegria<br> De viver, na glória de ser tua,<br> Erguem-se na garoa, em cada canto<br> Da rua…<br> Mas moram dentro deles, sombras de saudade,<br> Pálidas e belas,<br> Que se debruçam nas janelas,<br> Para olhar a cidade!…<br> <br> Quando a tarde declina,<br> A cidade acende as cores dos seus cartazes…<br> E se derramam na garoa fina,<br> Tintas que lembram lágrimas vermelhas…<br> Olhos de olheiras lilases…<br> <br> E em cada um dos bonitos<br> Cartazes,<br> Pode-se ler um trecho dos meus poemas,<br> Com letras de luz escritos!<br> <br> É a hora da Ave-Maria. E então, na garoa,<br> A cidade<br> Põe-se a tanger os sinos de todas as igrejas!…<br> E ressoa e ressoa<br> Soluçando o teu nome num clamor tão grande,<br> Que hás de ouvi-lo, por certo, aonde quer que estejas!…<br><br>Dizia Cecília Meireles: "Não sou alegre nem sou triste: sou poeta…" <br>(http://www.releituras.com/cmeireles_menu.asp)<br><br>O último texto enviado ao SPMC, que foi escrito com o título Dia da Pessoa, não foi publicado. Este que vocês estão lendo é semelhante aquele, pois quer reverenciar os autores e sua gama de atributos. Nós, creio, estamos reconhecendo a julgar pelos comentários as cinco mil histórias publicadas que isso é verdade, ou seja, nós autores, uns mais outros menos, somos uma equipe eclética.<br><br>Não há uma linha única de pensamento. Divergimos bastante é isso e saudável. Única condição, gostar da cidade de São Paulo, acho que isso é unânime a opinião.<br><br>Pergunto-me muitas vezes se nossos textos não deveriam contemplar o presente e o futuro, pois o passado já foi. No entanto, o presente que se constitui em uma nova realidade que será passada amanhã. <br><br>Reporto-me a expansão natural da cidade de São Paulo. Nós saudosistas do Centro Velho, aprendemos através dos comentários aqui postos, que essa realidade mudou. Se o Centro Velho tem histórias, os locais frequentados pela atual juventude, até os 50 anos… bares, colégios, praças, boates, centros de recreação, locais de trabalho vão ter amanhã, futuro, deliciosas experiências que nos serão contadas para prazer e alegria dos nossos netos. Vamos ser realistas.<br><br>Acontece que para concordar com esse ponto, nossos bairros e periferia devem conter o cuidado das nossas autoridades. Claro já acontece, mas quero dizer que há valores a preservar, tanto aqui como lá. O nosso bom viver dá prazer em todos os lugares do planeta e no perímetro urbano da cidade de São Paulo.<br><br>Particularmente custei a entender isso. Sempre me concentrava no Centro, onde praticamente foram os lugares que conheci, quando aí moramos. São João, Largo do Arouche, Senador Queiroz, Liberdade, Ipiranga, Brás, Bom Retiro, Estação da Luz, Parque Dom Pedro II…<br><br>O "negócio" é que nos bairros e periferia não temos a vivência que tivemos durante a nossa experiência. O que fazer então para não ficar de fora. Parar de escrever não vai dar. É normal, paulistanos comentarem nossos textos, alguns, que vivemos fora e por pouco tempo não conheceu a cidade, como que dando-nos um "chega pra lá", “você é de fora”.<br> <br>- O que vamos fazer com o nosso amor por São Paulo, talvez seja preferível continuar escrevendo sobre o Centro Velho.<br><br>Uma responsabilidade, no entanto, afeta a todos. Como resolver os problemas oriundos do volume da população, o trânsito, trens, metrôs, transporte coletivo em uma cidade como São Paulo?<br><br>Também reconheço que falta imaginação e criatividade para abordarmos essas questões. Se me reporto ao assunto é porque já escrevi muitas histórias, para minha contabilidade pessoal e assim sendo, no meu ponto de vista, acho que tenho créditos para sugerir que algo precisa ser feito no sentido de melhorar a qualidade de vida dos paulistanos. E reconheço minha total incapacidade de dar soluções. Não sei mesmo o que fazer para que as populações sejam contempladas com o mínimo necessário: Creches, jardins de infância, colégios com boa educação, segurança pública, policiamento bem preparado, hospitais, centros de recreação, cinemas, teatros, museus, shoppings centers, comunidades para acolhimento de idosos, solitários… Ei acho que quero transformar São Paulo em um paraíso. É muita pretensão, então desculpem.<br><br>Obs. finais: por que não escrevo sobre a cidade onde moro? Minha participação em minha cidade, é pagar meus impostos, cuidar da casa e da rua, dos filhos já grandes, da esposa, do neto Mateus. Escrevo para o jornal da minha cidade e dou minhas opiniões, na página diário do leitor. Sobre as 100º ações criminosas decorrida nos últimos meses, cabe a Segurança Pública e o do controle das penitenciarias e presídios do Estado, combato como posso, o sistema prisional é falido como no Brasil inteiro. Fruto das injustiças sociais, na qual sou um militante defensor. Já fiz o curso, à distância, de conselheiro de direitos humanos da cidade de São Paulo. Contribui, aprendi e me formei nesta atividade. Fui durante dez anos voluntário da pastoral carcerária e conheço o sistema prisional, um verdadeiro caos. Texto para refletir sobre as nossas cidades. Escrevo sobre São Paulo porque amo a cidade e seus moradores. <br><br><br>E-mail: [email protected]