Chuva de verão

Nos já longínquos anos 50, aqui no Brooklin morávamos, mais precisamente na então chamada "Parada Petrópolis", defronte ao Clube Banespa, ainda com vastas áreas desabitadas e pequenas chácaras onde havia plantações de verduras e algumas até com animais domésticos, como cavalos, galinhas, cabras…

Ainda meninos, havíamos deixado a fazenda em que nascemos e, ao andarmos pela região, foi fácil nos adaptarmos, pois estávamos habituados com, podemos dizer, hortas, criação e chão de terra.

Numa tarde, no primeiro verão que aqui passamos, da janela do casarão que morávamos, presenciamos algo que somente na terra em que nascemos já tínhamos visto.

Os ventos começaram suaves e depois longos e uivantes; o céu escurecendo e as árvores que avistávamos ao longe balouçando e os galhos se inclinando como se ao chão quisessem tocar…

Relâmpagos e trovoadas chegaram; fechamos a janela, e pela vidraça presenciamos um verdadeiro vendaval. A chuva torrencial cai; a enxurrada se forma e, num ímpeto caudaloso, rua abaixo segue…

Ora forte, ora fraca, mas sempre insistente, a chuva continua, mas aos poucos se vai amainando…

A leve brisa dá a sensação de mais frescor. No céu surgem pequenos trechos de azul e o sol no horizonte ainda desponta com a sua frágil luminosidade.

Das árvores onde se abrigaram, os pássaros saem e no espaço evoluem e as andorinhas se destacando nos trinados e no alegre voleio pelos céus vão planando…

As árvores se aquietam e os galhos ainda água gotejam; a terra a respirar e um tênue vapor brotando como se a brisa vespertina de verão quisesse suavizar… Para o anoitecer esperar…

Nossa primeira chuva de verão terminou…

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