Além da chuva normal que temos, já tivemos em São Paulo a chuva de prata, pequenos triângulos aluminizados que foram jogado por um avião a mando do industrial Baby Pignatari. Foi uma das coisas mais belas daquele inesquecível ano de 1954, ano do IV Centenário da Cidade de São Paulo.
Parece que aquilo ficou na retina do radialista Pedro Geraldo Costa, que um dia resolveu fazer uma chuva de rosas em homenagem a nossa Senhora Aparecida, por ocasião dos "milagres" do Padre Donizete Tavares de Lima, na cidade de Tambau pelos idos dos anos 1954-55. Quando correu a notícia de que aqueles milagres estavam ocorrendo, Pedro Geraldo encampou e fez do seu programa A Hora da Ave Maria, na rádio Nacional às 6 horas da tarde, o porta-voz do padre Donizete. Todo dia tinha a benção que o padre dava. Aliás, teve a benção uma vez só ao vivo, em que o padre compareceu ao estúdio da Rua Sebastião Pereira. Posteriormente ficou a gravação que era reproduzida diariamente. Os que tinham realmente fé, colocavam a pedido do radialista um copo de água em cima do rádio, e depois da benção bebiam, o que era reconfortante, para quem tinha fé, é lógico.
Muita gente dizia que tinha recebido um milagre da nossa querida padroeira, então Pedro Geraldo Costa resolveu homenageá-la com uma chuva de rosas. Um avião de pequeno porte sobrevoava o vale do Anhangabaú, jogando as pétalas num espetáculo realmente bonito e emocionante. Mais tarde Pedro Geraldo que era muito criativo, resolveu trazer a cruz de cedro do Líbano. Foi outra coisa muito bonita que mexeu com a emoção de todos. Como era anunciado com freqüência da chegada da Cruz houve uma grande expectativa, e o vale do Anhangabaú, que era chamado o Vale do Povo, tinha pelas contas da força pública um milhão de pessoas. Também nesse dia houve a chuva de Rosas. Pedro Geraldo tinha também a farmácia do povo na Rua da Consolação em que ele dava remédio gratuitamente para o povo pobre. Sua criatividade ia até a publicidade. Foi ele autor de muitos jingles publicitários, entre os quais do Óleo Maria.
MARIA SAI DA LATA QUE A LATA TEM BARATA
Como candidato a prefeito de São Paulo em 1965, ele deu uma tacada de mestre na Praça da República. Em meio a um monte de faixas de políticos, ele colocou a sua, bem de fronte a Avenida Ipiranga. Era uma faixa comum, como todas as outras. Porém a criatividade dele foi muito grande. Ele colocou uma calha, dessas de beiral das casas, na parte de baixo com bastante alpiste, o que chamou a atenção dos passarinhos. Ficou aquele amontoado de pássaros o que dava a entender que estava havendo um milagre de Nossa Senhora. Não havia quem não olhasse. Outra coisa comum dele fazer era a de comparecer nos programas de televisão com um paralelepípedo na mão. Certa ocasião no programa da Hebe Camargo, ela ficou curiosa por ele estar com aquela pedra tão pesada na mão. Sua resposta foi simples. Eu sou o Pedro da Pedra. Quando Hebe começou a prestar mais atenção viu que ele estava com a gravata do lado do avesso.
– Nossa Pedro! Você colocou a gravata do lado contrário!
– Sim minha filha, quando as pessoas me chamam atenção eu viro do lado certo, onde esta minha foto, dizendo que sou candidato a prefeito.
Em 1955, ele foi a minha casa pedir para meu pai se ele me deixava entregar suas cédulas. Ele era candidato a deputado estadual. Eu fui. O local escolhido foi em frente ao Grupo Escolar Martin Francisco, na Rua Domingos Fernandes, Vila Nova Conceição. Aproveitei e entreguei cédulas de Juscelino Kubistcheck, que era candidato a Presidente da República.
Pedro Geraldo Costa merece ser lembrado, foi uma pessoa que justificou sua passagem pela terra.