Cem narrativas paulistanas

Amyr Klink, paulistano, filho de pai libanês naturalizado e mãe sueca, tinha em 1984, 29 anos, quando foi o primeiro navegador da história a realizar a travessia solitária do Atlântico Sul em um barco a remo, saindo da África rumo ao Brasil.

Escreveu vários livros relatando suas demais aventuras marítimas, porém a que mais me emocionou foi a da travessia que fez cujo título é: "Cem dias entre céu e mar " – o qual guardo com carinho e que consta uma dedicatória dele que diz: "Para Joubert, do mar". Emoldurada por um desenho em traços ligeiros, de uma palmeira e traços ondulantes significando o mar.

Guardadas as devidas proporções de tempo e espaço e de talento também, estou chegando, nas escritas iniciadas em 2008, com o título: "Bar do Getulio" nas: "Cem narrativas paulistanas – São Paulo minha cidade”.

Jamais acreditaria que pudesse estar atingindo tal número, mas aos poucos e sem perceber, remadas após… Ou melhor, narrativas após narrativas, lá vamos chegando…

Lembrei-me de uma frase marcante do Amyr, que consta em seu livro, quando o indagaram se não sentia muito solidão estando a sós na vastidão do oceano onde só se via águas por todos os lados? Ele respondeu:
"Quem tem um amigo, mesmo que um só, não importa onde se encontre, jamais sofrerá de solidão; poderá morrer de saudades, mas não estará só."…

Certa ocasião, alugamos, através de uma imobiliária, uma chácara nas imediações de São Paulo para reunir toda família na passagem do ano novo. Lá chegando, fomos recebidos pelo caseiro que nos mostrou a mesma. Eis que vejo numa parede, um quadro com a foto do Amyr e perguntei sobre o mesmo. Ele informou que a chácara era propriedade da esposa e dele e que por não a usarem, alugavam… Coisas do destino.

Graças ao site, encontrei dois amigos que não sabia o paradeiro há mais de 45 anos e saudades sentia dos mesmos e soube que a recíproca era (é) verdadeira.

Hoje, no limiar da aposentadoria que se aproxima, feliz estou, pois graças ao site novos e agradáveis amigos virtuais surgiram e a solidão que vá bater em outra porta… E a saudades pode esperar…

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