Casa Vogue

Em 1970 tive a oportunidade de conhecer a Casa Vogue, na Avenida Paulsita, assistindo a um desfile de moda.
Meu irmão, nessa época, era o estilista da casa e eu, caipira do interior, fui convidada por ele para assistir ao seu desfile.
Me lembro como me senti constrangida no meio das "dondocas" da sociedade. Nunca havia assistido a um desfile de modas, muito menos visto, de perto, manequins tão lindas e roupas deslumbrantes. Muitas roupas eram adaptadas da moda de Paris. Eram feitas pesquisas rigorosas em Nova Iorque e Paris, anualmente.
A Casa Vogue ficava no Edifício Baronesa de Arary, na Av. Paulista. Esse edifício com 559 apartamentos, resiste até hoje.
O período de glória foi nos anos 60, quando virou ponto de encontro da classe teatral e centro de difusão da alta moda, graças à Casa Vogue.
A cobertura pertencia ao casal Walmor Chagas e Cacilda Becker, que utilizava o salão de festas para saraus. Posteriormente, virou salão de debates sobre a censura imposta pelo regime militar. O pior ocorreu em 1993, quando o Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru) interditou o edifício, alegando risco iminente de incêndio. A desocupação só foi evitada pela mobilização dos moradores, que reformaram as instalações elétricas.

A Casa Vogue apresentava, também, a moda para as filhas das madames e sua boutique se chamava "Voguinho".
Apesar de meu irmão ter trabalhado lá, nunca pude ter, sequer, um peça, era tudo caríssimo. Seria, o que é hoje, a Daslu.
Luís não foi um estilista famoso, mas era de um bom gosto e talento indescritíveis. Quem já usou roupas da TricotLã (Bonna) sabe a que me refiro.
Saudades do meu irmão querido e dessa época tão feliz de nossas vidas!