Casa do Adoniran

Toda minha infância e adolescência eu estudei no Colégio Spinosa, situado na Avenida Coronel Francisco Julio Cesar Alfieri, na Cidade Ademar. Tenho muitas histórias vividas no colégio, mas hoje gostaria de falar de uma casa em particular que ficava ali perto.

No trajeto que fazia de casa até o colégio, eu sempre passava na frente desta residência e o que me chamava atenção era a caixa d'água que existia lá. Era uma caixa de água externa, feita de cimento e havia um desenho de um trem na mesma. Sempre fiquei intrigado pelo desenho do trem e de quem morava naquela casa.

Em um sábado, passando com meu pai na frente desta casa, ele virou para mim e falou:
– “Sabe de quem mora ali? Adoniran Barbosa, o maior sambista que São Paulo já viu.”
Eu com meus onze anos de idade nem sabia quem era Adoniran Barbosa, mas o meu querido pai me mostrou todas as suas obras, tão bem cantadas pelos Demônios da Garoa e me contou o porquê do trem desenhado na caixa d'água, uma singela homenagem à música Trem das Onze.

Depois disso, sempre que passava em frente a sua casa, ficava imaginando o Adoniran andando pelo quintal, buscando nas suas lembranças mais uma história que em forma de samba seria contada para todos nós, enriquecendo ainda mais nossa cultura e nos proporcionando as mais diversas emoções.

Nunca mais deixei de ouvir Adoniran; posso dizer que ele faz parte da minha vida e que mantém o meu elo com São Paulo cada vez mais forte, apesar da distância.

A imagem da caixa d'água com o trem desenhado está gravada de forma permanente na minha memória e cada vez que ouço uma música de Adoniran sou automaticamente transportado para frente daquela casa e por alguns momentos volto no tempo. Minha alma e coração agradecem.

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