Casa da Rua Padre João

As casas desta rua tinham quintais enormes que terminavam na Rua Goulart Penteado, uma travessa da Rua Doutor João Ribeiro ou da Rua da Penha, era mais conhecida como Rua do Atlético, local onde os jovens passavam horas nos bailes vespertinos e noturnos. <br> <br>Por um tempo, quando ainda era bem pequena, morei no número 212 da Rua Padre João, no bairro da Penha.<br><br>Nesta casa havia um quintal com os mais diversos tipos de árvores frutíferas, lembro de algumas como a pitangueira, o mamoeiro, a figueira, o limoeiro, o abacateiro e de uma bela parreira de uvas e um pé de romã. Deviam ter mais algumas, mas consegui lembrar apenas destas. Este quintal também terminava na Rua do Atlético e muitas vezes me arranhava toda para dar uma espiadinha e observar o que havia do outro lado, saciando assim a minha curiosidade.<br> <br>Era gostoso brincar por lá, eu e meus irmãos fazíamos as cabanas, subíamos nas árvores e fazíamos rampas com pedaços de madeiras, mas sempre tinha um que se machucava na cerca ou no chão que era todo de terra. Apenas o corredor que nos levava até ele era de cimento. <br> <br>Certa vez, já de madrugada, ouvimos um barulho perto da janela do nosso quarto, parecia que alguém queria abri-la. <br>Meu pai também ouviu, e logo pediu para que ficássemos quietos e rapidamente orientou meu irmão mais velho junto com minha mãe, irem ao distrito policial que não era tão longe dali.<br> <br>Enquanto isso, meu pai, para ganhar tempo, resolveu conversar com o individuo que insistia para que ele abrisse a porta. Claro que ele não abriu, mas disse ao transeunte que iria abri-la se ele dissesse o que estava fazendo no quintal de casa naquela hora da madrugada. <br> <br>O homem, muito esperto mas querendo se fazer de bobo, dizia que havia entrado em uma rua e não num quintal, que havia se perdido e agora não conseguia achar o caminho de volta porque estava muito escuro. O Sr. Pedroso, meu pai, pediu para que ele esperasse um pouco mais e que iria abrir a porta.<br> <br>Passado um tempo a policia chegou, fez a revista no quintal inteiro e nada achou, claro que o homem havia percebido a técnica do meu pai e fugiu. A policia ficou fazendo a ronda até o dia clarear, mas não encontrou o tal homem. Dele restaram, em nossas lembranças, apenas uma sombra de voz baixa e meia roca, com alguns acessos de tosse forçada.<br> <br>Ficamos por um bom tempo com receio de brincar no quintal, aliás, ele nunca mais foi o mesmo para mim, tinha medo só de pensar que alguém estranho, o suposto ladrão, ousou violar aquele espaço que sentíamos ser o mais seguro. Brincar naquele quintal era a nossa diversão.<br><br>Logo que escurecia minha mãe trancava tudo. Com o espaço diminuído e dentro de casa, tivemos que inventar outras brincadeiras, mas por pouco tempo logo mudamos para outra casa.<br><br><br>E-mail: [email protected]