Li no OESP – sábado, 10/05/08 – sobre a questão da penhora do terreno da Casa Bandeirista. O polêmico espaço, desde 1978, vem sofrendo acompanhamento quando nós, moradores itahyenses, percebemos que o então recente comprador Naji Robert Nahas começava a destruição de um edifício digno, representante da arquitetura bandeirista, século XVIII e, muito além, local de abrigo e posto de observação dos índios da tribo Caiuby quando da vinda dos jesuítas para a fundação do sítio Pinheiros, em 1560. Todo esse terreno sofreu tombamento pelo CONDEPHAAT em 1981/82.
Essa penhora não é primeira determinação da justiça em troca ou como garantia de pagamentos às falcatruas, sempre revertida pelos diversos grupos econômicos, simplesmente constituídos para, por meio de manobras financeiras e jurídicas, retornar a área como de sua posse, porém sempre mantendo, sob alguma forma, o empresário Naji Nahas no grupo. Basta verificar as quase três dezenas de volumes de um pesado processo no Ministério e Justiça Pública Estadual, incluindo inúmeros Termos de Ajustamento, etc. A última série desses volumes recebeu o n° de processo 128/94-MP, estando no número 7°.
Em abril/maio de 2008, a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente multou a empresa Comercial Bela Vista em pouco mais de 43 mil reais e anulou o último TCA – Termo de Compromisso Ambiental, firmado pelo fato dos mesmos terem derrubados mais alguns exemplares, das poucas ainda existentes, representantes da Mata Atlântica e muitos exemplares exóticos.
Após a recente negociação entre o Grupo Victor Malzoni, agora avaliado em 700 milhões de reais, contido no coração da nobre avenida ligação de Pinheiros à Vila Olímpia/Funchal, entre as ruas Iguatemi, Aspásia e avenidas Horácio Lafer e Brigadeiro Faria Lima, tem-se a notícia de mais essa penhora.
Nós, comunidade itahyense, continuamos perguntando e cobrando.
Quando vão "reconstruir a Casa Bandeirista", ocupando parte de um espaço de apenas 700 m2, já assegurado e demarcado à PMSP, neste quase 20 mil m2 tão disputado economicamente?
Só queremos a Casa Bandeirista do Itaim Bibi.
Com a palavra, as autoridades envolvidas e os proprietários, os quais não identificamos claramente dentro desse emaranhado de empresas e sociedades constituídas, dentro e fora do país.
Só para terminar: existem relatos orais e importantes provas arqueológicas que, em parte desse terreno, existiu um cemitério aonde, por séculos, foram enterrados os índios, os escravos e os infiéis. Será que é praga dos mortos?
Eu hein!
Helcias Pádua
Pres. Assoc. Grupo Memórias do Itaim Bibi
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