Carnaval e Jovem Pan

Iniciando um novo dia, enquanto aguardava o horário de minha saída para o trabalho, estava escutando as noticias daquela manhã, como faço habitualmente, quando o locutor informou o falecimento de dois nomes: Aluani Neto e Israel Gimpel, ambos repórteres de rádio.

Após ouvir esta informação veio na minha mente a recordação de uma época, mais precisamente os anos 70, quando a internet ainda não existia e os canais de TV ainda engatinhavam para coberturas ao vivo. O ponto forte das noticias estava nas rádios.

Entre as muitas emissoras de rádios existentes nesta cidade, algumas se destacaram e criaram seu perfil, por exemplo: a rádio Eldorado marcou pelos seus locutores e por sua programação de músicas instrumentais; a rádio Bandeirantes focava em esportes com os melhores do gênero; para o jornalismo, a Jovem Pan era o máximo, fez grandes coberturas como as dos incêndios dos edifícios Andraus e Joelma de triste lembrança para esta São Paulo. Qualquer fato que tivesse ocorrido ou que fosse apenas boato as pessoas de imediato sintonizavam a “Pan” para saber se era verdade ou não.

Nos anos 70, na época de carnaval, nunca gostei de viajar neste período, primeiro por não apreciar muito o carnaval e segundo evitar viagens, porque sempre surge algum transtorno, tanto na ida quanto na volta, entretanto, sempre acompanhava a festa de momo pela rádio, pois tinha outros parentes que viajavam e eu sempre gostei de estar atualizado.

A Jovem Pan fazia a maratona do carnaval, 72 horas de transmissão direta (se não me engano), com todos os seus repórteres e free-lancer. Era bom acompanhar esta jornada, alem das notícias do momento, também eram apresentadas reportagens e entrevistas curiosas não focando somente o carnaval, pois existia uma dosagem certa nas matérias para não ficar sempre na mesmice de escolas de samba. Esta operação carnaval tinha no seu cast de repórteres uma boa equipe, dentre eles: Israel Gimpel, Aluani Neto, Celso Vernizzi "o homem do tempo", Antonio Del Fiol, Milton Parron e muitos outros.

Por isto, ao saber sobre o falecimento destes dois repórteres acima citados, fiquei triste neste dia, não os conhecia pessoalmente, mas por muitos anos fizeram parte do meu dia-a-dia. O rádio faz com que a gente tenha esta intimidade, você passa a considerá-los como parte de sua família. Hoje a comunicação triplicou, existem muitas mídias, mas na minha lembrança sempre estará a rádio Jovem Pan e seus repórteres.

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