Caem as flores das árvores, a Avenida São Luiz sempre linda apresenta aos olhos um panorama parisiense; as pétalas como por encanto se derramam nas calçadas dando um toque de ternura sem igual, a primavera ressurge após um tenebroso inverno, o sol teimoso aliado ao céu azul vence a camada poluível dando o ar de sua graça, nos enfeita no meio do agito dos automóveis e transeuntes, ainda bem que uma garoa tímida vem para molhar a minha fronte que radiante caminha em frente para desfrutar o espaço que a cidade nos oferece sem cobrar nada.
Estou chegando então na Praça da República que ainda continua exuberante apesar das depredações; incontinente, desvio o meu olhar para o Colégio Caetano dos Santos quando em um passado distante desfilava as mais lindas garotas, inconfundíveis no uniforme azul e branco; aperto os passos, já estou entrando na Rua do Arouche, pergunto aos meus botões, cadê o grande magazine Cassio Muniz que tomava quase todo o quarteirão, ele das ofertas tentadoras que realizaram o sonho de tanta gente; do outro lado na estação do Metrô o movimento então de pessoas em seus vai e vem em busca de seus destinos.
Chego ao Largo do Arouche, onde rapazes espalhafatosos com seus trejeitos se confundem com a beleza das flores; as flores são lindas, o mercado expõe para um jovem que quer dar uma rosa vermelha para a sua namorada; o vendedor me confidenciou, no banco do jardim, um senhor de cabelos grisalhos me chama a atenção, está lendo o jornal “El Figaro”, evidencia o “glamour” parisiense em plena Sampa; aperta então a fome, sem delongas vou comer uma divina macarronada acompanhada de um bom vinho tinto no “Gato que Ri”, que para mim ri, afinal, viestes de Santa Catarina para comer aqui…
Estou a passeio e andando de volta pela Vieira de Carvalho; evitei andar pela Avenida São João, motivo: acabou a Cinelândia, não quero sentir um aperto no coração, estou com saudade do filme Sete noivas para Sete irmãos que assisti garoto com meus pais; indago então: onde está o Fasano, não consigo encontrar, estou dando adeus a Primavera, estou com pressa, não posso perder o avião cuja passagem paguei em suaves prestações. “Au Revoir…”
E-mail: [email protected]