Bullying

Minha escola – onde fui aluna, professora e coordenadora – foi criada para preparar as mulheres para o trabalho com o nome de Instituto Profissional Feminino, nos idos de 1911.
 
Hoje nós a conhecemos como Escola Técnica “Carlos de Campos”, sempre no mesmo lugar: esquina da Rua Monsenhor Andrade com a Rua Oriente (Brás ou Pari?).
 
Num determinado momento – década de 70 mais ou menos – a existência de uma escola pública feminina causava espécie. E, assim, ela foi preparada para receber meninos.
 
Mas, mal sabíamos o que estava para acontecer…
 
Tínhamos no currículo, além das disciplinas de cultura geral (como Português, Matemática, Geografia, História, Desenho, Inglês, Biologia, etc), as disciplinas técnicas, como corte e costura, bordados, flores e chapéus, pintura, cerâmica, culinária e muitas outras artes não necessariamente femininas mas mais afinadas com esse gênero. Era o pensamento da época, nada de torcer o nariz…
 
Aí, a reviravolta e os meninos vieram, possibilitando grandes mudanças na vida da escola.
 
Do outro lado da rua, havia um colégio particular (Liceu “São Paulo”) e vocês sabem o que rola entre estudantes nas horas de entrada e de saída: rivalidade, paquera, formação de grupinhos e assim por diante. Os meninos desse colégio achavam que as meninas do nosso eram mais ou menos como um campo reservado para eles. E agora? Havia concorrentes dentro da fortaleza.
 
Eles não tiveram dúvida, começaram a assediar nossos alunos, perguntando: “Como foi a aula de costura? Bordaram muito hoje?” E mil e uma tentativas de provocar os nossos garotos.
 
A coisa se acirrou a tal ponto que até o nosso zelador teve que ir para a rua, apartar brigas.
 
Depois de um tempo, tudo entrou nos eixos. Calmaria!
 
A relação voltou ao normal: rivalidade, paquera, formação de grupinhos, sem bullying agora.
 
Nota: Será que não vamos encontrar uma palavra melhor do que essa? Bullying, além de ser estrangeiro, é muito feio (tanto palavra quanto comportamento). Por isso, estou propondo o termo bulição (ou seja, ação de bulir). Será que pega?