O Brooklin Paulista passou a ser conhecido como bairro em 1922, com a junção natural e quase simultânea de três grandes loteamentos, que acabaram por consolidar o seu território. Um deles, projetado por Júlio Klaunig e Álvaro Rodrigues, abrangia a área de 174 alqueires, da antiga Fazenda Casa Grande. Localizava-se entre a Avenida Santo Amaro e Marginal do Pinheiros, limitando-se de um lado com Avenida Morumbi e de outro, com as Águas Espraiadas.
Um outro, lançado por Afonso de Oliveira Santos, situava-se entre a Avenida Morumbi e a Avenida Roque Petroni Júnior. Chamava-se Jardim das Acácias. E o terceiro, lançado pela Sociedade Anônima Fábrica Votorantim, confrontava com as Avenidas Santo Amaro, Washington Luís, Vicente Ráo e Águas Espraiadas. Quem lhe deu o nome de Brooklin Paulista foi a Light, em alusão ao lendário distrito do Brooklyn, de Nova York.
Em 1880, o engenheiro Alberto Kuhlmann, um visionário, havia criado a Companhia Carris de Ferro São Paulo-Santo Amaro, para ligar o centro de São Paulo a Santo Amaro, com vagões puxados por burros. O projeto, no entanto, não saiu do papel. Seis anos depois, a linha foi inaugurada com carros movidos a vapor. Deficitária desde o início, a empresa de Kuhlmann faliu em 1900, quando a Light arrematou todo o seu acervo. Por fim, em 1913, a empresa canadense introduziu na linha os bondes elétricos. Com a chegada dos bondes, o bairro foi descoberto, atraindo a curiosidade de centenas de forasteiros e o interesse econômico de grandes investidores imobiliários. A linha foi extinta em 27 de março de 1968, quando já se achava sob o controle da CMTC desde 1947. O bairro, até fevereiro de 1935, pertencia ao município de Santo Amaro. Mas o interventor em São Paulo,Armando de Salles Oliveira, decretou fim de Santo Amaro como município e ambos passaram a integrar o município de São Paulo. Santamarenses históricos e inconformados foram às ruas lutar pela emancipação de Santo Amaro.
Nada conseguiram, apesar de inúmeros abaixo-assinados e plebiscitos,o último deles realizado em maio de 1985. Hoje, em Santo Amaro, ninguém mais toca no assunto.