Brinquedos desatualizados e esquecidos

Televisão naquele tempo era a maior novidade em entretenimento, era um aparelho caro, que bem poucos lares podiam ter, então as crianças, após se arrumarem, iam às casas dos amigos que a tinham para assistirem aos programas transmitidos pela TV Tupi, que foi o primeiro canal aberto.

Computador, telefone celular e outros eletrônicos que as crianças já têm hoje nem eram sonhados.

Os brinquedos daquela época eram sempre os relacionados com as estações do ano. No inverno, para aproveitar os ventos, brincávamos de empinar papagaios (pipas), os quais nós mesmos confeccionávamos, as varetas que lhes davam estrutura eram cortadas de bambu seco, que após serem raspadas, lixadas, recebendo esmerado acabamento, formavam, o que poderemos chamar, o chassis do papagaio, que recebia nomes conforme a sua forma final, eram: quadrados, estrelas, peixinhos.

Até a cola necessária era preparada por nós fazendo a mistura de farinha, água e gotas de vinagre cozidas até terem o ponto de liga.

Para soltar e recolher o papagaio, confeccionávamos, com madeiras montadas, pequenos sarrilhos para enrolar a linha, ao qual chamávamos de maquininha.

De todos os materiais usados só comprávamos o papel e a linha.

Essa artimanha que alguns irresponsáveis usam hoje chamada de "cerol" nunca passou por nossas mentes ser feita. É, os tempos mudaram! Ou foram as pessoas?

Não faltavam as tradicionais fogueiras, ao redor das quais a molecada se aquecia e se serviam de brasas para abastecer as lanternas, que eram latas de óleo vazias, com um furo em cada lado e com um alça de arame mais ou menos longa, que girada atiçavam o fogo que servia para clarear os caminhos, já que ainda não tinham luzes as nossas ruas.

O céu nesta época ficava salpicado de balões coloridos e nas mais diversas formas: piões, almofadas, caixas, cruzes, carecas etc. Os tamanhos e cores ficavam a gosto e posses do seu construtor.

Era para os meninos um feito inigualável conseguir pegar um balão destes e exibi-lo aos outros como um troféu, mesmo que tivesse sido rasgado por alguém mais afoito e perverso.

Andar de bicicleta era um brinquedo agradabilíssimo, pois não existia trânsito de automóveis, que eram poucos naquela época, que tinha bicicleta, sempre emprestava para um amiguinho dar uma volta, não havia egoísmo.

Quando tudo estava tranquilo, as obrigações feitas e as condições climáticas permitiam, jogávamos bolinhas de vidro (bolas de gude), piões, tacos, que era um misto de golf e basebol, malhas, carrinhos de rolimã, tiro ao alvo com estilingues etc.

As meninas pulavam corda, amarelinha, caracol, cabra cega, passa-anel, esconde-esconde etc.

Hoje só vejo crianças, até pequeninas, brincando com telefones celulares e falando de internet, esquecendo-se, ou porque não foram ensinadas, que o tempo passa muito rápido e que, de repente, terão outros compromissos mais sérios e inadiáveis, e aquela infância, da qual deveriam ter recordações lindas, passou e jamais voltará.

Devemos lembrar nossos filhos, sobrinhos, netos, e por que não bisnetos, daqueles brinquedos esquecidos, mas não ultrapassados. As emoções são tão importantes para um viver saudável quanto a sabedoria, se é que a criança, estando na internet e celular, está aprendendo alguma coisa boa ou jogando fora o seu tempo e saber.

Devemos vigiar os caminhos trilhados pelas crianças, pois a maldade anda solta, é melhor uma mente pura, até pode ser taxada de boba do que uma super cérebro desgraçada.

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