Briga de vizinhos

No Cangaíba tínhamos um vizinho, o Sr. Abílio, que vira e mexe encrencava com meu pai.

Entre as duas casas havia um terreno baldio (na realidade eram três lotes – 30m de frente) que os proprietários nunca se deram ao trabalho de, pelo menos, capinar.

Assim sendo, tanto meu pai quanto o Sr. Abílio fizeram um acesso a este terreno. Meu pai mantinha o lado do muro sempre limpo, sem lixo e plantava uma hortinha. Já o Sr. Abílio criava galinhas soltas e deixava lá também um cachorro e sua casinha, preso o dia e a noite inteira.

Como ele alimentava as galinhas lá mesmo, soltas, tanto com milho como com restos de comida, seria natural o aparecimento de ratos. Os ratos, por sua vez, ao encontrarem umas "penosas" bem carnudas, não tinham dúvidas em fazer delas uma boa ceia (atacavam só à noite).

O Sr. Abílio, acordando pela manhã e vendo galinhas mortas pelo terreno e algumas "sumidas", já começava a maldizer, proferindo calúnia contra meu pai dizendo que ele havia colocado veneno e matado as galinhas e/ou roubado outras. A discussão terminava na Delegacia do Cangaíba: os dois indo de ônibus juntos (o Sr. Abílio era analfabeto – não sabia ler placa de ônibus) para cada um prestar sua queixa.

Isto aconteceu umas 2/3 vezes… Ninguém foi preso nem pagou fiança.

O mais gozado de tudo isto é que durante o trajeto dentro do ônibus, os dois se tratavam amistosamente, como se nada tivesse acontecido – assim meu pai contava… Acho que o Sr. Abílio queria mesmo era infernizar meu pai…

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