Braz com Z

Falar sobre o Braz causa um certo desconforto porque ele, apesar de ainda estar lá com o devido progresso, habitantes novos de diferentes origens, mantém as mesmas ruas, praças, e as principais edificações sustentadas pela glória e fama que alcançaram.<br><br>A proximidade com o centrão velho da Sé, o bairro "surrupiou" do Parque Dom Pedro II ou da Luz ou do próprio velho centro, o Mercado Municipal, um dos mais belos centros de consumo do País. Único bairro a ter uma construção do Ramos de Azevedo; o Palácio das Indústrias; o Grupo Escolar Romão Puiggari, majestoso edifício neo-clássico; a Casa das Retortas, antigo produtor de gás de carvão cok (ou koc, sei lá, hoje um museu) de onde saia o trenzinho apelidado de “liliptuano” (ou qualquer coisa parecida), que transportava o carvão da estação do Pari (ainda lá), pela Rua Santa Rosa e descarregava nos fornos da Cia de Gás; os dois grandes edifícios do Matarazzo um, antigo moinho, na Rua Monsenhor Andrade e outro, antiga fábrica de tecidos Mariângela, na rua Fernandes Silva.<br><br>E agora, com a triste fama (não deixa de ser famoso), o Edifício São Vito, o famoso treme-treme, que será demolido até 2011. As festas anuais do São Vito, grande atração turística de musicas, shows, comidas típicas e cantores de sucessos internacionais. <br><br>Toda mudança direcionada pra um glorioso futuro, ajudando nossa cidade de São Paulo, a se tornar na maior potência sul americana em qualquer ramo de atividade, o Braz contribuiu, com o trabalho de seus imigrantes, para esse espantoso desenvolvimento.<br><br>O Braz contava, também com seus personagens diferenciados, cujos comportamentos esbarravam nas vicissitudes comuns dos que habitam, por longo tempo, um mesmo lugar. <br><br>Na antiga Rua Álvares de Azevedo (hoje, Rua Polignano a Mare) com esquina da Rua do Lucas, (tem até hoje), um edifício de dois andares que em épocas remotas, era uma pensão. A pensão do Seu Pedro e de Dona Maria, casal mineiro, de Uberlândia, com uma filha muito bonita. Dona Maria, boníssima pessoa, cuidava da pensão, Seu Pedro, carrancudo, porém correto e bom homem, era sapateiro-remendão com oficina na parte de baixo da pensão. Nós, aficionados por futebol de rua, usávamos a calçada e o paredão da pensão. Durante o dia os pensionistas estavam fora, as janelas trancadas, não incomodávamos ninguém. No andar de cima, tinha uma sacada de frente para a sala de janta, onde os pensionistas almoçavam. Nossa bola, de capotão, pesada, dificilmente alcançava a altura da sacada. <br><br>Mas, mesmo com o pedido de seu Pedro pra evitarmos jogar na hora do almoço, num belo sábado ensolarado, resolvemos tirar um racha. E na hora do almoço. Num belo chute meu, a bola foi direitinho pra sacada da pensão, entrando pela janela, foi cair, em cheio dentro do caldeirão de feijão. Dona Maria e Seu Pedro, aos gritos, saíram na sacada xingando a todos, e Seu Pedro vociferava em bom mineirês: <br><br>- Diabo, molecada sem vergonha!<br><br>Fugimos e, pouco depois, numa boa, Dona Maria, coração de ouro, nos devolveu a bola, não furou, mas também não lavou. Depois da feijoada, a bola ficou mais macia.<br><br>E-mail: [email protected]