Eu já morei, por enquanto, em três cidades diferentes – Guarujá, Santo André e São Paulo – mas a mais marcante na minha vida foi São Paulo e principalmente o bairro do Brás.
A bela cidade do Guarujá onde eu nasci, com praias lindas, onde aquele imenso mar azul beija a areia branca da praia, eu morei, justamente no apartamento onde eu nasci, na esquina da Avenida Marechal Deodoro com a Rua Rio de Janeiro, de frente para a Praia de Pitangueiras, mas, apesar de eu me lembrar da praia, das brincadeiras, das águas-vivas, dos navios que passavam no horizonte, onde o mar se encontra com o céu, os passeios na calçada com os meus pais e minha irmã, no período da noite, os cinemas, o caldo de cana, os passeios até Santos, através da balsa, viagens a São Paulo (cidade imensa) para visitar os familiares; são poucas as lembranças, pois por volta dos seis anos nos mudamos para São Paulo.
Dos seis aos onze anos de idade, eu morei com os meus pais no bairro da Ponte Rasa, onde eu aprendi a ler e a gostar mais de música, pois eu era um garoto que amava os Beatles e o Roberto Carlos, sendo um tempo em que foi importante na socialização com os amiguinhos de infância e as primeiras paqueras com as meninas da região.
Por causa do trabalho do meu pai, que decidiu montar um comércio em Santo André, morei naquela cidade, que considero uma espécie de São Paulo em tamanho menor, pois tem desde indústrias, comércio, residências, hospitais, cinemas e também, muito trânsito, mas deixei amigos e namoradinhas, pois aos 14 anos de idade, voltamos para São Paulo e fomos residir no Brás, na Avenida Rangel Pestana, esquina com a Rua Professor Batista de Andrade, naquele prédio cinza de estilo neoclássico, bairro este que conquistei muitas amizades e namoradinhas também.
O Brás que eu conheci, na época, tinha muitos descendentes de portugueses, espanhóis e principalmente italianos, com muitas pizzarias, na esquina da Rangel com Piratininga, na Rua Jairo Goés e na Rua do Gasômetro (Gigio), o som do sino da igreja, a escola Romão Puiggari (Annie Frank), o Colégio 30 de Outubro, a loja Diana, os bancos, as farmácias, o comércio em geral e também, clínicas e escritórios.
Não posso deixar de falar dos Sindicatos, inclusive eu trabalhei de 1975 a 1978 no Sindicato dos Artefatos de Papel, Papelão e Cortiça, que era vizinho ao prédio onde eu residia.
Morei na Rua Carneiro Leão, de 1979 a 1982, quando me casei com uma filha de italiano do Alto da Mooca e moramos dois anos na Rua Fernandes Silva, esquina com a Rua da Alfândega e em 1984 voltamos para a Rua Carneiro Leão e morando ali, nasceram dois filhos.
Em 1990, fomos morar próximo ao Portal do Morumbi, onde nasceu, em 1993, a minha filha caçula. Muitas aventuras, muitas coisas aconteceram ali no Brás, que estão guardadas em minha mente, pois valeu a pena ter vivido no Brás, onde todas as coisas devem passar.
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