O bairro do Brás era um bairro ótimo para morar, bem familiar, muita gente alegre, muito calor humano, lá, estava a simplicidade.
Aquelas ruas todas eram acolhedoras.
Havia muitos espanhóis, italianos, portugueses e turcos, mas os que mais predominavam eram espanhóis e italianos.
O bairro do Brás marcou a vida de todos que lá moraram, mesmo com todas as dificuldades, gostávamos, éramos felizes.
Nossa rua virou uma só família.
Os imigrantes e descendentes foram se ajuntando para não sentirem tanto a falta de suas raízes, mas que nunca foram esquecidas.
Eu sempre ouvi dizer que o Brás era o coração de São Paulo.
A Rua Carneiro Leão era uma mistura de dois idiomas, espanhol e italiano, quando passávamos perto de duas ou três mulheres ou homens, ou conversavam em espanhol ou italiano, mas a gente se entendia.
Assim foram passando os anos.
Hoje não moro em São Paulo, mas sempre que vou lá, passo na minha rua e por toda aquela redondeza, ao mesmo tempo em que sinto o passado enquanto vou olhando tudo, me dá tristeza por não tê-lo de volta do jeitinho que era, com as mesmas pessoas e com tudo que ali existia.
O antigo Brás está bem guardadinho em nossas memórias.
A cada dia que passa, o progresso da cidade vai construindo coisas novas e apagando as imagens do passado, que vivas, permanecem em nossos corações.
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