Quando eu morava no Brás, na minha adolescência, no início dos anos 70, conheci no Ginásio Annie Frank (Romão Puiggari), o João Henrique Almendro, que assim como eu, era novo no bairro, ele nasceu em Bauru e tinha morado na Vila Carrão, enquanto que eu nasci no Guarujá e havia residido em Santo André.<br><br>O João residia na Rua Professor Batista de Andrade, em um apartamento do segundo andar de um prédio de três andares, de esquina com o largo existente na Professor Batista. Se não me engano em frente ao prédio dele residia, em um sobrado, uma família que tinha um filho cadeirante. Posteriormente descobri que eles eram parentes da Suely, moradora da Rua Correia de Andrade e era vizinha de outros amigos nossos: Ricardo Carraro, Liberal Carraro Neto e suas belas irmãs Silvana e Silvia.<br><br>Como eu residia no prédio da esquina da Avenida Rangel Pestana com a Rua Professor Batista, eu e o João estávamos sempre nos visitando, acabei até ensinando-o a tocar violão e guitarra e também a influenciá-lo em gostar das músicas dos Beatles.<br><br>Nós vivemos muitas aventuras juntos, inicialmente frequentando as matinês dos cinemas do bairro, onde conquistamos várias garotas, trocando beijinhos com elas. Também frequentamos muitos bailinhos, em sobrados na Rua Professor Batista, em apartamentos de colegas no bairro e em outros bairros também, além de bailes em diversos clubes de São Paulo.<br><br>Há duas aventuras que eu preciso contar em relação ao Parque do Ibirapuera, a primeira, como curtimos a música do Pink Floyd, inclusive assistimos no apartamento dele o especial que passou na TV Globo – o Sábado Som apresentado pelo Nelson Motta – que era considerado rock espacial, resolvemos então conhecer o Planetário.<br><br>Posso afirmar com certeza que foi muito fascinante e na saída encontramos duas garotas, que resolvemos conquistá-las, ambas estavam participando de uma excursão de uma escola. Elas eram do Parque São Rafael e trocamos beijinhos, confesso que éramos razoavelmente bons em conquistar garotas e acabamos pegando carona no ônibus da escola delas e fomos parar na porta da escola delas, lá no extremo da Zona Leste, no final da Avenida Sapopemba e voltamos em outro ônibus e só chegamos ao Brás por volta das 20h daquele domingo.<br><br>A segunda vez, fomos simplesmente passear e ganharmos garotas, como dizíamos naquela época, mas não me lembro o porquê, quando resolvemos voltar vimos que só tínhamos dinheiro para uma única condução, e precisávamos ir de ônibus até o Centro e depois pegar outro ônibus que passasse no Brás.<br><br>Resolvemos, então, pegar carona nos ônibus e agimos como dois atores, fomos até a Avenida Brigadeiro Luiz Antonio, pegávamos um ônibus e antes de passarmos a catraca perguntávamos para o cobrador se aquele ônibus passava na Augusta ou outro lugar, que logicamente não passava, o cobrador dizia que não, então pedíamos para deixar descer pela porta detrás sem pagar nada.<br><br>E assim foi acontecendo, às vezes até perguntávamos se ele iria para um lugar onde ele já passou, ou seja, invertíamos o itinerário para o cobrador pensar que estávamos perdidos e pegamos o ônibus do lado errado da rua, fazíamos uma encenação até discutíamos entre nós acusando que o outro não conhecia a cidade, digno de atores da época como Tarcísio Meira, Francisco Cuoco e Cláudio Marzo. Deu certo e conseguimos chegar ao Largo São Francisco, onde pegamos o “Penha-Lapa” e chegamos ao Brás, também já era noite, mas estávamos muito felizes pela a aventura.<br><br>Eu e o João, durante a adolescência, vivemos muitas aventuras inesquecíveis, foi uma grande amizade, algumas aventuras não podem ser relatadas aqui, pena que com o tempo nos afastamos um do outro e somente algum tempo atrás nos contatamos algumas vezes por telefone e por e-mails, mas valeu à pena ter vivenciado tudo o que passamos.<br> <br><br>E-mail: [email protected]<br>