Na década de 50, havia nos jornais da Folha (Folha da Manhã, Folha da Tarde e Folha da Noite) o que se chamava Bolsa de Cinema, se bem me lembro. Funcionava assim: nos lançamentos, você recebia, antes do início da sessão, uma senha, na qual constavam as cotações para o filme a ser visto. Ótimo, Bom, Regular e Mau.
Ao final, você depositava essa senha em urnas estrategicamente colocadas, assinalando, com X, a sua opinião sobre a película vista. Depois de alguns dias essas urnas eram recolhidas, e o resultado da pesquisa era publicado nos jornais da Folha, enquanto o filme permanecesse em cartaz.
Antes de enfrentar uma sessão era aconselhável a consulta à Bolsa de Cinema. Lá estava:
– Filme A – 50% Ótimo – 25% Bom – 15% Regular – 10% Mau
– Filme B – 10% Ótimo – 20% Bom – 30% Regular – 40% Mau
E assim por diante.
Mesmo sabendo que a opinião do grande público nem sempre é confiável, a Bolsa se prestava como bom parâmetro e nos livrava daqueles incômodos e sonoros “abacaxis”.
Não sei se nos cinemas de bairro se utilizava o mesmo procedimento; eu era estudante, morava no centro da cidade e a tela mais distante que visitei foi a do Cine Esmeralda, próximo ao Largo Padre Péricles (hoje é centro!).
Tinha uma namorada por aquelas bandas e estava sempre com ela no escurinho do Esmeralda.
Era muito legal, informativo e indispensável aos cinéfilos. Não sei por que desapareceu; provavelmente pressões de anunciantes tenham contribuído para isso. Gostaria que os amigos que vivenciaram aquele período deixem sua contribuição, acrescentando ou retificando as informações, já que contei apenas com a memória. Obrigado
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