Bixiga, amor eterno

Por acaso, puxei no Google o nome de um antigo amigo do nosso querido e nostálgico bairro do Bixiga, quando, pra minha grata surpresa, deparei-me com histórias e nomes que muitos deles, convivi.

Quero aproveitar o momento para acrescentar alguns outros nomes, que trago em minha lembrança, e que ajudaram a montar a história desse amado bairro: somos cinco irmãos, todos nascidos no Bixiga, Sérgio, Flávio, Wilson, João e Marco, filhos do sr. João Marganelli (muitos ainda hão de se lembrar do meu pai, amava futebol, palmeirense fanático, e que era técnico do Palmeirinha e do Luzitana, no futebol de salão), e da dna. Maria Baldini (da família dos Baldini, centenária no bairro).

Até hoje, quando posso, assisto missa na Achiropita.

Não poderia deixar de mencionar, na década de 60, os jogos memoráveis de futebol entre a turma do Morrinho x a turma da Marques Leão, adultos e depois os jovens, onde após esse acontecimento, era uma festa só no bar do seu Guerino (pai do Tunicão), na Cons. Carrão, onde ficava também a mercearia da dna. Amélia. Jogavam o Chalin (falecido goleiro da ferroviária), meus tios Milton, Chicão, o Tsinho, o Carlito, o Oscarzinho, o Dori, o Caculé, o Pelezinho, o Negão, o Breguela, o Rubinho, o Jaiminho (filho do sr. Jaime da venda), eu, o Flávio, o Araripe, o Carijó, o Fatibelo e tantos outros.

Tantas lembranças maravilhosas, dentre elas, nadávamos na boca do túnel da 9 de Julho, e, quando descobertos pelo zelador, este saía correndo tentando pegar um de nós. Legal também era o cineminha do Achiropita, onde nos reuníamos sob a batuta do padre Patarello.

O parque do Trianon, quanto brincamos ali em seus balanços, o salão da criança no Ibirapuera, com brincadeiras e jogos inesquecíveis de futebol de salão.

Ainda no Bixiga, o Mazzaroppi nos presenteou, se não me engano (era muito jovem), com parte das filmagens (se me lembro bem) de O Vendedor de Linguiças. A malhação do Judas, a corrida de sacos com ovo na colher, promovida pelo proprietário de uma venda que existia nas esquinas da São Vicente com Sto. Antonio. Os carrinhos de rolimã, com os quais descíamos a Rua dos Franceses, e na Cons. Carrão a dna. Palmira ficava esperando-nos com um balde de água na mão (coitada, se bem me lembro, nunca alcançou seu intento, pois parávamos antes), e a respeitávamos também.

A minha avó, Cristina Cafuoco Baldini, quanta gente benzeu, era na porta de sua casa, no morrinho da sto. Antonio, onde as festas de São Pedro duravam três dias (o meu pai conseguia os restos de madeira das produções do teatro nídia lícia), a impressão que eu tinha, de tão popular que ela era (e meus tios e tias também), é que meio Bixiga ia pra lá.

Não poderia deixar a venda do sr. Angelo, na Luiz Barreto (onde morei muitos anos), pai do Toninho (grande amigo), do Angelo e do Boca (este, falecido, era um figuraço). O Élerson Gaetti, quanta linha de costura fornecia pra gente, pra empinarmos papagaio (seu pai, seu Evaristo, era alfaiate).

Lembrança também do campo do Herói Brasil, na Marques Leão, ficava no alto do morro e, quando a bola caía na rua, era a mesma colocada num balde e puxada por corda, genial, né?

Enfim, são somente algumas poucas lembranças e fatos que marcaram uma pessoa, que conheceu o Armandinho, o Esquerdinha, o Lorencinho (o maior ponta-esquerda que vi jogar), o Esquerdinha, o Ponce-de-leon, o Carlinhos pastor (craque de futebol de salão, Palmeiras e seleção brasileira), o Bernardino, o Chalin (ambos foram profissionais de futebol), o Brasão, o Leão, o Boia, o Mazolinha, o Airton, o Crispin, o Galo, o Nenê (Carmine), o Vico, o Jaime, o Bura, o Piu-piu, o Marinho, o Namur, o Nelsinho, o Bertola, o Marcão, o Decinho comendador, o Agostinho dos Santos (pouco antes de falecer, ficamos até tarde conversando nas esquinas da Sto. Antonio com Manoel Dutra), o Pinguinha e tantos outros.

Hoje, em Ribeirão Preto, morando com minha mulher Regina, que conheci no Bixiga em 1966, ela com 14 anos e eu com 17, casamos em 1979 e Deus nos presenteou com nossa filha Érika que, por sua vez, retribuiu com dois netos maravilhosos, Igor e Ana Beatriz.

Um abraço a todos, e viva o Bixiga, com suas histórias, sua gente, suas pizzarias, cantinas, padarias, teatros, feirinhas, botecos, a escadaria dos ingleses, e todos os seus encantos.

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