Baltazar, o cabecinha de ouro

Este fato ocorreu na década de 80. Eu trabalhava como corretor de imóveis e tinha um Gol, já muito rodado, queria vender o carro para comprar um mais novo, então fui ao lugar mais indicado para vendas de carros: a famosa “boca, entre as ruas Barão de Limeira, Helvetia e outras.

Percorri varias lojas e nada de conseguir um preço bom, até que ao passar pela Rua Helvetia, um senhor perguntou-me:
– “Quer vender o carro?”

Eu respondi que sim, mas estava difícil pegar um bom preço. Ele então perguntou quanto eu queria. Eu disse o preço e ele me mandou entrar em uma loja para conversar. Fui ate a loja e ao descer do carro parecia que eu já conhecia o senhor corretor da loja de carros e falei:
– “Você não e estranho, eu te conheço de algum lugar” – ele sorriu e disse:
– “Deve ser pelas andanças da vida”.

Ele apresentou-me ao dono da loja e eu consegui vender por um preço um pouco melhor do que o que até então tinham me oferecido. Ao sair falei com o dono da loja:
– “O seu corretor tem uma cara muito conhecida” – ele respondeu:
– “Tem sim, ele e o cabeçinha de ouro, o famoso Baltazar do Corinthians e da Seleção Brasileira. Esta vendendo carros para sobreviver, ele esta praticamente na miséria, perdeu tudo o que ganhou com o futebol”.

Naquele momento passou um filme em minha cabeça, eu lembro que saiu nos jornais na década de 50 que o Baltazar havia firmado um contrato com o Corinthians no valor de 25 mil cruzeiros por mês, uma fortuna para a época. Também teve uma passagem muito famosa na época em que o seu cadillac pegou fogo na estrada para o Rio de Janeiro. Ele sentou-se na estrada, começou a rir da tragédia e disse ao repórter:
– “Amanhã eu compro outro cadillac”.

Ao sair da loja de carros fui agradecer ao Baltazar pela venda do carro e pelo preço razoável que consegui. Falei que era corintiano, ele sorriu e disse:
– “Muito obrigado! Um corintiano ajudando outro corintiano”.

Depois de alguns anos eu li nos jornais notícias sobre sua morte em um hospital da capital, ele estava muito doente.

Lembrei-me também do jogador Canhoteiro, do São Paulo e da Seleção Brasileira, que morreu na miséria. No fim da vida vendia empadinhas nos bares de Pinheiros. Ademar Pantera, do Palmeiras, também morreu pobre e doente.

Fiquei sabendo que o Zé Roberto, que jogou no São Paulo e no Corinthians, atualmente vive em Serra Negra e também esta na miséria. Bataglia morreu pobre e doente, João Marcos é alcoólatra e também esta na miséria. Vários outros jogadores estão em situações parecidas.

E por ultimo o jogador Muller, do São Paulo, Torino (Itália), Palmeiras, Santos e Seleção Brasileira, também perdeu tudo. Ele fez essa declaração a um jornal da capital, disse que as mulheres e amigos o ajudaram a gastar tudo o que ele ganhou no futebol. É triste para um torcedor ver seus craques com este fim tão triste: pobres, doentes, e na miséria. Mas eu sempre digo:
– “O sucesso não é eterno”.

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