Já li neste site muitas histórias sobre os times de futebol de antigamente, os estádios, os craques. Eu sempre gostei de assistir outros esportes: vôlei, basquete e principalmente as corridas de domingo com aquela musiquinha no final: tan tan tan… tan tan tan (o hino da vitória).
Erros e mais erros ocorreram naquele circuito num domingo 1º de maio. O hino da vitória acabou por ser um hino de dor e de silêncio… Ninguém conseguia entender o que tinha acontecido. A mídia exaustivamente mostrava imagens que calavam o povo brasileiro. Quando o corpo chegou ao Brasil, a coisa mudou de figura. São Paulo estava com suas ruas, avenidas, pontes, viadutos, prédios, postes e árvores tomados por pessoas de todas as raças, credos, cores, religiões para dar o último adeus ao maior ídolo de todos os tempos, e, principalmente, brasileiro!
Eu não podia deixar por menos. Às 6h30min da manhã fomos eu, minha mãe, minha ex-cunhada e minha ex-sogra para a ponte do Imigrante Nordestino, que é a primeira pela Rodovia Ayrton Senna (ex-Trabalhadores) de quem vem de Cumbica e chega a São Paulo, para esperar a passagem do carro do corpo de bombeiros. Já quase não havia mais lugar: ficamos no finalzinho da ponte, mas ainda com uma boa visão da rodovia. Naquele dia eu faltei no serviço pela manhã!
A multidão se espremia e trazia nas mãos fotos, vestiam camisetas, bonés. Todos com olhar voltado para a pista. Quando o carro do Corpo de Bombeiros que trazia Ayrton Senna foi avistado, as lágrimas não puderam ser contidas. Quem passava de carro na ponte também parou… A cidade parou naquele dia. Choros incontidos e aplausos se misturavam naquela última homenagem. A gente já se emociona ao ver tudo isto pela televisão… imaginem eu, que estava lá, no meio daquela multidão!
Ninguém esperava que ele fosse tão querido, nem mesmo sua irmã – Viviane Senna -, que disse numa entrevista que tenho gravada que sabia que ele era carismático, mas não tinha idéia do quanto. Tanto que ela manifestou sua gratidão publicamente ao povo brasileiro e de São Paulo pelo carinho demonstrado a Ayrton.
E toda esta homenagem a Ayrton Senna não foi em vão. Somente depois de sua morte é que ficamos sabendo quantas coisas que ele fez em vida por muitas pessoas. Ele era um "doador de amor ao próximo" anônimo. Não se vangloriava pelos seus feitos, apenas fazia, cumpria sua missão… era humilde. A humildade e o caráter é que fazem um grande homem!
Obrigado Ayrton, pelas tardes de domingo que nunca mais foram as mesmas depois que você se foi…
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