Aventuras da adolescência

Na minha adolescência, no início dos anos 70, lá no velho e bom bairro do Brás, residindo na Avenida Rangel Pestana, eu estudei no Colégio Anne Frank (Grupo Escolar Romão Puiggari), localizado na mesma avenida, em frente ao prédio da loja de tecidos “R Monteiro” e da Igreja do Largo do Brás.

Ali eu fiz amizades com pessoas maravilhosas, de diversas descendências, italianos, principalmente, espanhóis e japoneses.

Logo, em 1971, conheci a “Kety” (Maria Enriqueta), espanhola que depois se tornou minha vizinha no prédio no qual eu residi, na esquina com a Rua Professor Batista de Andrade. Por tabela conheci o irmão dela, o José Luis, que era um guitarista cabeludo e barbudo, que me deu muitas dicas de guitarra, pois ele descobriu que eu estava aprendendo este ofício tão maravilhoso.

Na escola também conheci um japonês, Zé Carlos que, não sei por qual motivo, era conhecido como “Francês” e os seus familiares Giba, Sérgio e o Felisberto, também o Pompeo Galinella, que morava na Vila Mariana, mas estudava no Brás.

Posteriormente conheci o João Henrique Almendro, que era bom de bola, canhoto nos pés e apelidado pela turma de “esquerdinha”, ele era destro com as mãos.

Eu, como era ruim de bola, jogava como goleiro, e até que eu jogava bem no gol, pois era fã do Leão (Palmeiras), apesar de torcer pelo Santos, pois ainda o acho como o melhor goleiro brasileiro que eu vi jogar, pois ele estatisticamente, comparando gols sofridos com partidas realizadas, foi o goleiro menos vazado na Seleção Brasileira e em Copas do Mundo nas quais ele participou (74 e 78) como titular.

Eu, o João, o Giba e o saudoso Eronildo (que faleceu nos anos 90), estávamos sempre juntos, nas aventuras de irmos aos cinemas, bailes e acabamos nos juntando aos bons amigos Miro, Ricardo Carraro, Liberal Carraro Neto e Zé Geraldo, em nossas aventuras, principalmente nos embalos de sábado à noite.

Eu e o João, como dizia a minha mãe, éramos unha e carne, sempre juntos nas nossas aventuras, namoros com as garotas, fosse ao baile ou ao cinema e até em outros passeios e ainda, tocávamos violão e guitarra juntos e conforme já citei anteriormente, éramos beatlemaníacos.

O João residia na Rua Professor Batista de Andrade e por duas ocasiões resolvemos ir ao Parque do Ibirapuera, numa das vezes, fomos ao Planetário e na volta percebemos que não tínhamos o dinheiro para pegar duas conduções até o Brás. Planejamos então seguir pela Avenida Brigadeiro Luiz Antônio, pegando ônibus de graça. Perguntávamos ao cobrador, se aquele ônibus passava em algum lugar, que tinhamos certeza que não passava e pediamos para descer pela porta traseira. E o cobrador, achando que estávamos perdidos, permitia. Assim conseguimos chegar até o Largo São Francisco, usando de nossas interpretações, como os bons atores da época – Tarcisio Meira, Francisco Cuoco e Cláudio Marzo. Sendo assim, só pagamos a condução para o Brás, através do ônibus da linha Penha-Lapa.

Em outra ocasião no Parque do Ibirapuera, conhecemos umas garotas e, como bons “Don Juans”, as conquistamos. Elas participavam de uma excursão escolar, e quando fomos embora, de carona no ônibus da excursão da escola delas e por causa delas, fomos parar na frente da escola na qual elas estudavam, lá no extremo da Zona Leste, no bairro do Parque São Rafael, percebe-se o que as garotas foram capazes de fazer conosco, hein!

Eu e o João, e também os outros amigos citados, realizamos diversas aventuras juntos, naqueles bons e inesquecíveis tempos de adolescência, morando naquele tempo no bairro do Brás.

E-mail: [email protected]